www.sabado.ptleitores@sabado.cofina.pt (Sábado) - 9 out 09:28

Pais da Democracia

Pais da Democracia

Considero pertinente comentar o facto de na morte de Diogo Freitas do Amaral, a generalidade das declarações e dos títulos de jornais afirmarem que desapareceu o último dos Pais da Democracia. - Opinião , Sábado.

Terminadas as eleições com um resultado que, em linhas gerais, corresponde às minhas expectativas; 

Relacionado Ainda o furto aos paióis de Tancos... Amainada a vergonhosa especulação sobre o "assalto" aos paióis de Tancos, autêntica "operação de bandeira falsa";

Considero pertinente comentar o facto de na morte de Diogo Freitas do Amaral, a generalidade das declarações e dos títulos de jornais afirmarem que "desapareceu o último dos Pais da Democracia".

Não me vou pronunciar sobre as qualidades e os defeitos de um estadista que conheci em 1974 no Conselho de Estado, com quem estabeleci boas relações, que nos permitiram viver acontecimentos interessantes e importantes para a vida do nosso País. Nem vou comentar o facto de Freitas do Amaral se ter tornado sócio da Associação 25 de Abril, por iniciativa própria e aí se ter mantido durante vários anos, até ter pedido a exoneração por discordar do facto de nós termos declinado o convite da Assembleia da República para estarmos presentes nas cerimónias do 38.º aniversário do 25 de Abril.

Sou dos que não alteram a sua opinião sobre alguém, pelo simples facto de esse alguém ter falecido.

Prefiro não me pronunciar sobre as muitas virtudes de Freitas do Amaral, pois não resistiria a acrescentar os defeitos que lhe atribuía, mesmo que a sua lista fosse muito inferior à daquelas. E nem vou comentar a incompreensível atitude de, no seu funeral, lhe terem sido prestados honras militares...

Confiante em ser compreendido, confesso ter ficado irritadíssimo com aquilo que atrás referi. Morreu o último dos 4 Pais da Democracia? Ainda se acrescentassem a essa frase a palavra "civis" ou mesmo "partidários"!...

Porque a questão a colocar é simples: quem foram os verdadeiros Pais da Democracia?

Os partidos políticos e consequentemente os seus líderes, ou o MFA e os que o compunham, ou seja os Capitães de Abril?

A resposta parece-me simples: o MFA, naturalmente!

Para além de muitas coisas, desde logo o ter feito o 25 de Abril e ter apresentado um Programa onde a democratização constituía o principal do seu conteúdo, convém recordar que as eleições para a Assembleia Constituinte foram praticamente "impostas" pelo MFA. Basta lembrar que após o 11 de Março de 1975 era o próprio CDS, através de Freitas do Amaral que defendia o adiamento das eleições, porque "o povo português não está preparado para isso" e foi o MFA que as impôs, cumprindo a sua promessa de as realizar no prazo máximo de um ano! Nem que para isso tivesse de arregaçar as mangas e levasse a efeito uma tarefa ciclópica, como foi a organização das eleições onde o recenseamento ocupou lugar cimeiro (organizadas por militares do MFA, certamente com a colaboração de inúmeros cidadãos portugueses).

Infelizmente, este problema não é novo. Várias vezes assisti à reacção de Mário Soares, inequivocamente o mais carismático dos 4 Pais da Democracia civis, quando o tratavam por "Pai da Democracia": " Não, eu não sou o Pai da Democracia! Os verdadeiros Pais da Democracia são os Capitães de Abril!

Sejamos honestos, não queiramos distorcer a História ... o seu a seu dono! 
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