expresso.ptDaniel Oliveira - 9 out 13:16

As vicissitudes do professor Aníbal

As vicissitudes do professor Aníbal

Não sei se as vicissitudes da geringonça a que Cavaco Silva se refere têm alguma coisa a ver com as apocalípticas previsões que fez no lamentável discurso de 22 de outubro de 2015. Se o mau resultado do PSD não se explica com o desempenho do Governo, a campanha ou o programa do partido, resta Rui Rio. Não lhe passa pela cabeça que esta derrota também se explique pelas profundas marcas que o passismo deixou, de que Maria Luís Albuquerque é um dos símbolos

Ainda os votos não estavam todos contados e já Aníbal Cavaco Silva escrevia à Lusa para fazer saber que o resultado do PSD “ficou muito aquém daquele que as vicissitudes que o país conheceu durante os quatro anos do governo da ‘geringonça’ justificavam para o maior partido da oposição”. Para quem não se recorda, Cavaco Silva previu, num lamentável discurso/comício que fez a partir do Palácio de Belém, uma hecatombe para o país. Afirmou que esta solução política iria perigar “a trajetória de crescimento e criação de emprego”. Que estávamos perante “uma alteração radical dos fundamentos do nosso regime democrático”. E definiu como seu dever “impedir que sejam transmitidos sinais errados às instituições financeiras, aos investidores e aos mercados”, adivinhando “uma quebra de confiança das instituições internacionais nossas credoras, dos investidores e dos mercados financeiros externos”.

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