rr.sapo.ptOpinião de Francisco Sarsfield Cabral - 8 out 12:35

​Eleições em Espanha

​Eleições em Espanha

Sucedem-se as eleições em Espanha, procurando uma maioria parlamentar que viabilize um governo do PSOE. Nada garante que daqui a um mês novas eleições desbloqueiem a situação.

No próximo dia 10 de novembro haverá novas eleições gerais em Espanha. As anteriores foram a 28 de abril passado, sendo vencedor o PSOE (socialista) liderado por Pedro Sanchez. Mas este não conseguiu ser investido primeiro-ministro nas Cortes (parlamento) porque não chegou a acordo com o Podemos (esquerda radical) para que este partido apoiasse no parlamento um governo do PSOE. Seria uma solução, uma geringonça, à portuguesa; mas Pablo Iglesias, líder do Podemos, insistiu em fazer parte de um governo coligação, algo que o PSOE não aceitou.

Nada garante que daqui a um mês surja um resultado eleitoral que proporcione uma maioria parlamentar ao PSOE de Sanchez. Segundo uma sondagem publicada ontem pelo jornal “El Mundo”, este partido até baixa ligeiramente em relação a abril. Pelo contrário, o Partido Popular (PP), de direita, sobe de 17% em abril para mais de 21% agora.

A novidade maior desta sondagem é a queda do partido Cidadãos, fundado e liderado por Albert Rivera, que naquela sondagem fica atrás do Podemos e muito perto do Vox (extrema-direita), com apenas 10%. O Cidadãos nasceu na Catalunha em 2006, opondo-se ao independentismo. E posicionou-se como uma força política de centro a nível de toda a Espanha, chegando a obter 22% dos votos em eleições gerais de 2016.

Só que, a certa altura, Rivera mudou de orientação: quis tornar-se a principal força de oposição ao PSOE. Ora o PP, hoje liderado por Pablo Casado, recuperou da era de Rajoy e voltou a ser o principal partido de oposição à esquerda.

A desastrosa viragem de A. Rivera leva a que, segundo a referida sondagem, um em cada três votantes no Cidadãos em abril esteja hoje arrependido. E 73% dos militantes do Cidadãos discordam da estratégia de Rivera, reclamando que o partido viabilize um executivo do PSOE.

Rivera já começou a mudar de posição. Mas perdeu capital político e credibilidade com o sonho de ser o líder do centro-direita em Espanha, sonho que acabou em pesadelo.

Entretanto, nada se avançou na resolução do principal problema político espanhol: o independentismo catalão. Dentro de dias será conhecida a sentença do Supremo Tribunal espanhol quanto aos independentistas catalães, vários deles na prisão. São de prever violentas manifestações na Catalunha. A unidade de Espanha está ameaçada.

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