expresso.ptClara Ferreira Alves - 7 out 16:29

Quatro se não forem dois

Quatro se não forem dois

António Costa quer entender-se com todos, e tem talento para isso, mas um país dependente da permanente negociação continuará estagnado e por reformar, burocrático, institucional, refém do estrangeiro e entregando o destino à Europa e ao turismo

As segundas edições nunca valem tanto, ou vendem tanto, como uma primeira edição. Reeditar a solução política dos últimos quatro anos é impossível. Claro que o nome da coisa pode ser aplicado a outra coisa, uma edição revista e corrigida da geringonça, mas essa revisão e correção seriam feitas por tantos corretores que a coisa seria outra coisa completamente diferente. Uma aritmética de trampolins e votos parlamentares. António Costa ganhou e receberá os cumprimentos por isso, mas o homem que na noite de eleições discursou é um político menos sorridente que há quatro anos perdeu as eleições. Muito menos. O primeiro a saber o que o espera é ele, foi ele que conseguiu equilíbrios e acordos impossíveis nestes quatro anos, foi ele que tentou libertar-se das chantagens e das coerções, foi ele que preparou as armadilhas e as estendeu (caso da farsa politica dos professores), foi ele que andou e negociou na Europa e é ele que sabe que os ventos internacionais não são favoráveis a uma navegação à vista em nome dessa abstração chamada esquerda. Ou direita. Abstração porque a ideologia não é o motor do mundo civilizado. A ideologia conta em crise, não conta fora dela. O que as pessoas querem é segurança e paz, manter os direitos adquiridos, e pequenos sobressaltos em vez de saltos no abismo. Portugal dá-nos isso, ou a ilusão disso. Costa também.

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