observador.ptobservador.pt - 20 set 08:27

Médicos mais jovens estão menos disponíveis para fazer interrupções voluntárias de gravidez. Alegam objeção de consciência

Médicos mais jovens estão menos disponíveis para fazer interrupções voluntárias de gravidez. Alegam objeção de consciência

Médicos mais jovens declaram-se objetores de consciência, mas não há números oficiais sobre quantos são. Especialistas dizem que falta de recursos humanos e valorização dificulta processo.

Os médicos mais jovens estão menos disponíveis e motivados para colaborar nas consultas e intervenções de interrupção voluntária de gravidez (IGV). Muitos declaram-se objetores de consciência, mas não há dados oficiais que indiquem exatamente quantos são. O Público noticia esta sexta-feira que a Ordem dos Médicos estimou em 2011 que, em cerca de cinco mil, seriam 1.300 os médicos que invocavam a objeção de consciência — mas não tem dados sobre o cenário atual. Já a Ordem dos Enfermeiros aponta para 285 objetores de consciência.

Ainda segundo o mesmo jornal, o número de interrupções voluntárias de gravidez está em queda desde 2012, tendo atingido o valor mais baixo em 2017: 14.889. Este número de IGV coloca Portugal abaixo da média europeia.

A especialista em ginecologia e obstetrícia Teresa Bombas diz ao Público que “é difícil motivar os profissionais mais jovens” para esta intervenção. A despenalização da IGV por opção da mulher até às dez semanas de gestação entrou em vigor em 2007 e Teresa Bombas e conta que, nessa altura, o processo era mais fácil: muitas mulheres pediam ajuda devido a complicações resultantes de abortos clandestinos. Mas a especialista adianta que, hoje, a falta de recursos humanos dificulta as IGV.

Ana Campos, ex-diretora clínica adjunta da Maternidade Alfredo da Costa, refere, ainda, que a interrupção da gravidez não oferece valorização curricular aos médicos que estão a fazer a especialidade.

O Bloco de Esquerda vai perguntar ao Ministério da Saúde que avanços houve desde 2018, altura em que o partido liderado por Catarina Martins detetou vários problemas no encaminhamento das mulheres e reclamou que fossem asseguradas de acesso à IGV em todos os agrupamentos de centros de saúde.

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