visao.sapo.ptMafalda Anjos - 19 set 07:00

Alguém disse PANfobia?

Alguém disse PANfobia?

Uma leitura do programa do PAN, uma lista de 1 196 medidas avulsas, é reveladora da bondade das suas bandeiras mas também da fragilidade daquele conjunto de propostas para o seu fim último: governar o País

Um dia destes, em conversa com um miúdo de 25 anos, que vive em Portugal desde os 11 (mas com nacionalidade portuguesa), perguntava-lhe se já sabia em quem ia votar. Disse-me que nunca tinha votado porque não gostava de política, nem se sentia preparado para escolher – mal sabia quem eram os candidatos, os partidos e o que propunham. Expliquei-lhe que devia tentar procurar informação, que não devia deixar que outros escolhessem por si. Ele concordou. “Sim, se calhar desta vez vou votar. Já me falaram daquele partido do PET ou que é, aqueles que falam do ambiente e dos animais, e acho que isso faz sentido. Todos os meus amigos vão votar neles.” São estes os eleitores que o partido do PET – leia-se, claro, o PAN – atraem: os jovens urbanos, as franjas que nunca votaram, os desiludidos com o sistema e com os partidos tradicionais. É por isso que o resultado no dia 6 de outubro será, provavelmente, muito bom, e que todos os partidos, da esquerda à direita, o temem. Todos menos, claro, António Costa, que vê nele a muleta ideal para completar “o bocadinho assim” que lhe pode faltar para uma maioria.

O PAN personifica o voto de protesto à portuguesa, porque os temas do ambiente e dos animais são daqueles que, hoje, toda a gente compra mas que por cá poucos partidos pegam realmente bem. Com os Verdes anichados e parados no tempo e um Bloco de Esquerda alinhado com a solução governativa passada e que estupidamente não fez do filão da ecologia uma verdadeira bandeira (concentrando-se nos mesmos velhos temas fraturantes de sempre), o PAN veio ocupar um território que por todo o lado cresce na Europa. Animais e planeta são as causas do Partei Mensch Umwelt Tierschutz na Alemanha, do Partito Animalista em Itália, do Partij Voor De Dieren na Holanda, do PACMA em Espanha… E a lista continua.

Em comum com todos eles há a mesma inconsistência e a superficialidade na abordagem, de quem tem um olhar parcelar sobre o mundo e se coloca de fora a atirar ideias fofinhas, muitas completamente irrealistas. Algumas são, note-se, importantes e até consensuais – não é à toa que André Silva conseguiu nesta legislatura fazer aprovar tantas propostas com o voto favorável de todos os partidos. . São praticamente nulas as medidas apontadas para as Finanças, Economia, Segurança Social, Emprego, Infraestruturas, Justiça, etc, etc, etc. Não me preocupa tanto o pendor autoritário e proibicionista que de facto mostra, como sublinhou o PP, mas mais a leveza quase pueril da abordagem. André Silva diz que ainda não está na altura do PAN ir para o governo, e não há qualquer dúvida acerca disso.

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