observador.ptobservador.pt - 13 set 15:26

Ativistas da Greenpeace podem apanhar até 10 anos de prisão na Polónia

Ativistas da Greenpeace podem apanhar até 10 anos de prisão na Polónia

Os ativistas foram acusados de "invasão de propriedade" e por "inutilização e impedimento da operação", por estarem pendurados em duas gruas num terminal de carvão no porto de Gdansk.

Vinte e oito ativistas da Greenpeace podem ser condenados a até 10 anos de prisão por terem bloqueado, na quarta-feira, o descarregamento de carvão procedente de Moçambique no porto de Gdansk, norte da Polónia, disse esta sexta-feira a organização.

“As 28 pessoas foram indiciadas pela procuradoria por participarem nessa operação pacífica”, disse Katarzyna Guzek, porta-voz da Greenpeace na Polónia, à agência de notícias AFP.

De acordo com um comunicado do gabinete do procurador de Gdansk, os ativistas foram acusados de “invasão de propriedade” e por “inutilização e impedimento da operação” de importantes equipamentos portuários, o que pode levar a uma sentença de até 10 anos de prisão.

Os ativistas – de nacionalidades polaca, alemã, finlandesa, holandesa, austríaca e eslovaca – ficaram pendurados em duas gruas num terminal de carvão no porto de Gdansk.

Depois, os membros da Greenpeace penduraram duas grandes faixas nestas gruas com a inscrição “Polónia sem carvão 2030”, pedindo ao Governo polaco para proteger o clima e adotar um plano de transição para o abandono do carvão até 2030.

“Estas são acusações absurdas, inadequadas em relação ao que aconteceu no porto”, comentou Katarzyna Guzek.

Todos os ativistas foram libertados, após o pagamento de uma caução.

O bloqueio das gruas ocorreu dois dias após uma tentativa de impedir, usando o barco do Greenpeace Rainbow Warrior, que o navio procedente de Moçambique descarregasse o carvão.

Os ativistas ambientais escreveram no casco do cargueiro “Stop the coal”, em grandes letras brancas.

A polícia de fronteira polaca, armada com metralhadoras, entrou no barco. Uma ativista austríaca e o capitão, cidadão espanhol, foram presos e, posteriormente, libertados.

“A polícia de fronteira polaca abriu uma investigação sobre esta operação”, acrescentou Guzek.

O Governo conservador nacionalista polaco optou por reduzir gradualmente a dependência da economia do país do carvão, produto que a Polónia possui reservas e importações substanciais.

Varsóvia e Budapeste rejeitaram a proposta da União Europeia de eliminar as emissões de gases de efeito estufa até 2050, dizendo que esse objetivo era incompatível com o desenvolvimento de suas economias.

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