www.publico.ptpublico.pt - 13 set 14:41

O olhar de quem trabalha nas “apocalípticas” minas de carvão da Índia

O olhar de quem trabalha nas “apocalípticas” minas de carvão da Índia

Enquanto lês este artigo, alguém está, em alguma parte do mundo, a extrair o carvão que irá fornecer a energia respons&#22

Enquanto lês este artigo, alguém está, em alguma parte do mundo, a extrair o carvão que irá fornecer a energia responsável por alimentar o teu computador. Ou o teu tablet. Ou o teu telemóvel. Fá-lo sob "uma espessa camada de poeira fina e negra" que repousa sobre os seus ombros, a sua pele, o seu cabelo. O chão debaixo dos pés "está a queimar" e o ar que o rodeia está saturado de gases tóxicos, fogo e fumo. "Entre tudo isto, há pessoas a cavar o solo com as próprias mãos."  

O cenário é apocalíptico. Pelo menos, em Jharkhand, na Índia, onde o sueco Sebastian Sardi passou 11 anos a documentar o quotidiano das minas de carvão. Não criou a série Black Diamonds com o objectivo de "mudar o curso desta paisagem devastada"; consciencializar, sim, é a sua meta. O projecto — que se encontra em exposição em Braga, ao abrigo da 29.ª edição do Festival Internacional de Fotografia Encontros da Imagem — pretende alertar o mundo para vários problemas: a exploração laboral no Leste da Índia, a sobreexploração de recursos naturais e os "efeitos devastadores", do ponto de vista ambiental, "associados ao uso do carvão" como fonte de energia. Em Portugal, 19,3% da energia produzida tem por matéria-prima o carvão. O país não dispõe de minas de carvão em funcionamento, mas importou, em 2017, cerca de 5,9 milhões de toneladas de carvão com origem na Colômbia, nos Estados Unidos da América e na Rússia — o valor mais alto da última década.

Entre 13 de Setembro e 27 de Outubro, os olhos de quem trabalha nas minas de carvão irão devolver-te a mirada na Nova Galeria do Largo do Paço, em Braga. "Trata-se de um retrato próximo das pessoas que extraem carvão", explica a sinopse do autor, fornecida pelo Festival Encontros da Imagem. "Estes retratos aproximam-se uns dos outros em busca de um relacionamento, fazendo e mantendo contacto visual. Em cada um destes retratos, as pessoas olham para trás, através da câmara e, depois, através das páginas até ao espectador." Os retratos que Sardi regista desde 2008 são de trabalhadores em pausa. "Esta é uma forma extenuante de subsistência com um custo tremendo", relembra. "Eles não pedem muito mais do que algum reconhecimento."

Durante as próximas semanas, o P3 apresenta alguns dos projectos que fazem parte da 29.ª edição do Festival Internacional de Fotografia Encontros da Imagem, que decorre entre 13 de Setembro e 27 de Outubro em Braga, Barcelos, Porto e Guimarães.

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