expresso.ptexpresso.pt - 13 set 21:45

David Cameron: “Sei que algumas pessoas nunca me vão perdoar”

David Cameron: “Sei que algumas pessoas nunca me vão perdoar”

Sem arrependimento pela decisão de realizar o referendo que abriu portas ao Brexit, em 2016, mas profundamente preocupado com o futuro do Reino Unido. David Cameron quebrou o silêncio e falou com o “Times”, para uma entrevista onde critica de forma dura Michael Gove e Boris Johnson e reconhece que uma segunda consulta popular pode ser necessária para ultrapassar o atual impasse

A menos de uma semana de lançar o seu livro, “For the Record” (“Para que fique Registado”), David Cameron quebrou o silêncio e, numa entrevista concedida ao “Times”, revelou que o resultado do referendo que abriu caminho ao Brexit o deixou deprimido, apontando o dedo a Michael Gove e Boris Johnson pela forma como fizeram campanha pela saída da União Europeia. O ex-primeiro-ministro britânico assume que é contra um Brexit sem acordo, observando que um segundo referendo pode ser necessário para que o Reino Unido quebre o impasse a que chegou.

“Sei que algumas pessoas nunca me vão perdoar por ter organizado um referendo. Outras por tê-lo organizado e perdido. Há ainda, claro, pessoas que queriam um referendo e que queriam sair que estão contentes que a promessa feita tenha sido mantida”, disse Cameron ao jornal, reconhecendo que não se arrepende da decisão, mas pensa na derrota sofrida “todos os dias”, preocupado pelas suas consequências.

No livro de memórias, quase a chegar aos escaparates das livrarias, Cameron é particularmente duro com o ex-amigo Gove, a quem chama “mentiroso”, incluindo nas críticas Boris Johnson. Os dois comportaram-se de “forma terrível”, afirma, acusações que repetiu durante a entrevista.

Olha com preocupação para o momento atual, marcado por uma crise entre os conservadores e pela possibiidade de uma saida sem acordo. “Acho que podemos chegar a uma situação em que saímos, mas seremos amigos, vizinhos e parceiros. Podemos chegar lá, mas adoraria poder avançar para esse momento rapidamente, porque estamos perante uma lembrança dolorosa para o país, algo que é doloroso assistir”, sublinhou.

“Organizar um referendo não foi uma decisão que tomei de ânimo leve”, disse Cameron, ao recordar que sofreu uma grande pressão política. O referendo realizado no Reino Unido terminou com uma votação de 52% a favor da saída da União Europeia, contra os 48% que se manifestaram pela posição contrária.

O resultado levou o ex-primeiro-ministro a demitir-se, tendo sido, posteriormente, substituído por Theresa May, que também abandonou o cargo após ver o seu acordo com a UE ser chumbado várias vezes.

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