www.vidaeconomica.ptvidaeconomica.pt - 13 set 11:49

A Terra está zangada

A Terra está zangada

Longe vão os tempos em que utopias futuristas, em livros de ficção científica e filmes cheios de planetas exóticos e “aliens” façanhudos, nos faziam pensar que, um dia, poderíamos abandonar o planeta Terra e encontrar uma nova casa noutro local, algures nesta ou numa galáxia distante. Mas já percebemos que, quimeras àparte, não temos outra casa para onde nos mudarmos. Perante este facto indiscutível, seria sensato que os seres humanos tivessem começado a tomar medidas para evitar que o ambiente do nosso planeta continuasse a deteriorar-se. Contudo, nos últimos 20 ou 30 anos, pouco mais se fez do que “empurrar com a barriga”. Infelizmente, e apesar de acordos como o de Paris, alguns dos países que mais contribuem para a degradação do ambiente, como os EUA, continuam a fazer de conta que nada se passa. Dirigentes mundiais de relevo chegam mesmo a negar o fenómeno do aquecimento global.
No entanto, a dura realidade é por de mais evidente, como testemunham os glaciares que desaparecem, os invernos quentes e o granizo em pleno verão, os incêndios nas florestas da Amazónia e África ou os furacões consecutivos. Não entrando em detalhes, já amplamente divulgados na comunicação social, diria apenas que, se um aumento de 2ºC da temperatura global em relação à era pré-industrial é considerado pelos cientistas como o limite acima do qual as consequências serão catastróficas para a vida no planeta, a previsão de que esse aumento se possa situar entre os 3º C e 5º C até 2100, caso se mantenham as emissões de gases com efeitos de estufa, seria fazer soar os alarmes para levar a uma atuação urgente e radical. Mas sabemos que há muitos lobbies instalados, fortíssimos, a que se acrescenta a própria resistência do ser humano em mudar comportamentos. A verdade é que, se muito podem e devem os Estados fazer a este nível, os indivíduos e as empresas devem também dar o seu contributo. Não só através do ativismo – como é exemplo a jovem Greta Thurnberg - mas também através da alteração de comportamentos e da promoção de atitudes que levem a essa mudança. Desde logo, retirando da discussão ideias preconcebidas, mas que não correspondem à realidade.  De acordo com o Prof. Filipe Duarte Santos, especialista em Alterações Climáticas, é errado pensar que a preocupação com o ambiente entrava o desenvolvimento económico. Afirma que se trata precisamente do contrário: a utilização sustentável dos recursos naturais irá beneficiar as economias, o que acontece nos países onde a reciclagem e a economia circular são já uma realidade significativa. Defende a reciclagem das matérias-primas, o retorno aos produtos com durabilidades longas e o consumo dos recursos naturais adequado à sua sustentabilidade.  Para além de um modelo de desenvolvimento assente em energias renováveis e não nos combustíveis fósseis, prevê a necessidade de alteração dos hábitos alimentares, com uma drástica redução do consumo de carne, uma vez que as explorações pecuárias são responsáveis por uma parte muito significativa das emissões de metano, um dos gases com efeito de estufa. É também hoje já um dado adquirido que terá de haver uma alteração radical ao nível da gestão da água, considerada “o petróleo do séc. XXI”.  Enquanto especialistas e entidades que assumem risco, cabe igualmente aos seguradores e resseguradores desempenhar aqui um papel importante. No sector, vários especialistas consideram o risco de alterações climáticas como um dos maiores riscos de 2019, mais ainda do que os riscos cibernéticos, de instabilidade financeira ou de terrorismo. O setor tem um papel importante a desempenhar ao nível da prevenção, em inúmeras vertentes, nomeadamente, a do planeamento da construção junto de zonas costeiras ou de inundações, de estruturas mais resilientes (seja à água, a terramotos, etc.).  Tendo em consideração que, em 2017, os desastres naturais causaram 340 mil milhões de dólares de danos – sem esquecer os danos indiretos, como no caso de cadeias de fornecimento (supply chain) – e face ao preocupante aumento da sua severidade e frequência, os seguradores necessitam de utilizar tecnologia mais sofisticada para desenvolver modelos mais precisos, que permitam uma análise mais fina. Como é o caso de uma ferramenta de avaliação do risco de inundação, recentemente desenvolvida por um dos maiores players do mercado, que, com um custo eficiente e um elevado grau de precisão, utiliza drones para captar dados, 
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