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Empresas estão mais sensibilizadas para questões ambientais mas há ainda muito a fazer

Empresas estão mais sensibilizadas para questões ambientais mas há ainda muito a fazer

As empresas nacionais estão ou não mais conscientes da necessidade de contratar seguros ambientais e climáticos? Procurámos saber junto das seguradoras qual é o comportamento das empresas perante o aumento das situações de catástrofe provocadas especialmente pelas alterações climáticas.
A sensibilização para as questões ambientais é uma temática cada vez mais presente, sobretudo no tecido empresarial, e, em Portugal, não é exceção. No entanto, ainda existe um longo caminho a percorrer no que diz respeito à sensibilização para os riscos que as empresas poderão estar a incorrer, considera Luís Anula, CEO da MAPFRE Portugal. “A procura por este tipo de produtos é feita, maioritariamente, por parte de empresas que são obrigadas por lei a terem uma garantia financeira para danos causados por contaminação ambiental, sobretudo as que possuem maior grau de risco (ex.: aterros sanitários, sucatas), embora se venha a estender a outros tipos de negócio cujo risco é menos evidente (ex.: oficinas automóveis)”, destaca Luís Anula. Na opinião do responsável da MAPFRE, “no que diz respeito a esta área em particular, e ainda que existam elementos por complementar ao nível da sua regulamentação – como sejam os exemplos dos limites mínimos de indemnização, impostos e fiscalização –, é também verdade que estamos perante um ramo que ainda não é explorado por todo o mercado segurador e que tem vindo a crescer todos os anos”. Eduardo Félix, subscritor de Seguros de Responsabilidade Ambiental da Innovarisk, considera que as empresas “estão sobretudo mais conscientes da visibilidade mediática que um incidente ambiental pode ter e da repercussão negativa que esta visibilidade terá na sua imagem”. A sensibilidade do público para os danos ambientais é cada vez maior e o seguro ambiental permite ao segurado responder a um incidente de uma forma mais ágil, de modo a minorar ou evitar a exposição pública, bem como os custos financeiros para a empresa. O responsável da Innovarisk adverte que, “porém, persiste ainda no nosso mercado alguma confusão entre os vários tipos de seguro disponíveis, ainda que apenas o seguro de responsabilidade ambiental possa responder adequadamente às necessidades das empresas e às obrigações definidas na lei”. Caberá sobretudo ao mercado de mediação e corretagem aconselhar os seus clientes, para que a empresa que queira estar protegida contra riscos ambientais tenha o seguro que efetivamente confere essa proteção. Top 3 dos riscos mais importantes “As empresas portuguesas estão cada vez mais expostas a eventos extremos associados às mudanças climáticas. Exemplo disso foram os últimos acontecimentos relacionados com os incêndios florestais, assim como as tempestades Leslie, Felix ou anteriormente o Gong”, destaca Johann Kopp, Head of Corporate P&C at Allianz Portugal. Contudo, acrescenta, “as catástrofes climáticas são igualmente uma realidade mundial, vejam-se as inundações na Índia ou atualmente o incêndio na Amazónia”. De acordo com o Allianz Risk Barometer – baseado num inquérito a 2415 empresários, subscritores e outros peritos de 86 países –, estes fazem parte do Top 3 dos riscos mais importantes para o negócio das empresas, os associados a perdas de exploração e às catástrofes naturais, o mesmo se verificando ao nível das preocupações dos gestores portugueses.  De igual modo, fruto do próprio desenvolvimento da sociedade, as empresas estão progressivamente mais conscientes das suas responsabilidades social, administrativa e civil, tanto da sua organização como dos seus administradores e gestores. Ana Filomena Salvado, da Direção de Negócio Empresas da Fidelidade, destaca que “a legislação comunitária – que assenta no princípio do poluidor-pagador – tem criado um incremento da procura de seguros de Responsabilidade Ambiental nos últimos anos”. A legislação estabelece um quadro comum de responsabilidade, com vista a prevenir e reparar os danos causados às espécies e habitats naturais protegidos, à água e ao solo.  “São interesses que cada vez mais ganham protagonismo no desenvolvimento da atividade das empresas nacionais, dado que cada vez mais são considerados como stakeholders essenciais no desenvolvimento de qualquer atividade”, acrescenta.  Ana Filomena Salvado considera que ao referido incremento também não é alheia – em primeiro lugar – a perceção cada vez maior das empresas de que os riscos relacionados com o ambiente são passiveis de criar danos que podem ir muito além do mero dano patrimonial (quebra de confiança por parte de clientes, acionistas e terceiros, bem como dúvidas sobre a credibilidade de uma marca ou empresa) e – em segundo lugar –, o facto de que, caso uma atividade lesiva seja atribuída a uma pessoa coletiva, as obrigações previstas no DL 147/2008 incidem, solidariamente, sobre os diretores, gerentes ou administradores da empresa. “Relativamente aos Seguros Climáticos, nomeadamente os que garantam eventos extremos (nomeadamente catástrofes naturais), os mesmos têm sido catapultados pelos recentes eventos (incêndios de Pedrógão Grande, tempestade Ophelia e tempestade Leslie em 2018). Em termos gerais, verifica-se uma maior consciência da importância dos seguros por parte das empresas, com cuidados acrescidos na valoração correta do património e na aquisição de coberturas adequadas à sua tipologia de risco”, destaca a responsável da Fidelidade. Paulo Duarte, responsável do Segmento PME, Direção Marketing da Ageas, considera que “as manifestas alterações climáticas que temos vindo a assistir, nas últimas décadas, têm provocado uma preocupação extra em todo o mundo empresarial. Essa preocupação reflete-se numa maior procura por parte das empresas, em soluções de seguro para dar resposta a essas necessidades”.  No que concerne à questão ambiental, a Ageas Seguros, destaca, “tem desenvolvido soluções de seguros neste âmbito, pois queremos reforçar cada vez mais o posicionamento da marca como empresa responsável na gestão da pegada ambiental dos seus clientes, bem como na sua própria pegada, uma vez que crescer de forma sustentável e criar impacto social é uma das nossas orientações estratégicas”.
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