www.publico.ptpublico.pt - 13 set 15:50

Argentina “atropela” França rumo à final do Mundial com a Espanha

Argentina “atropela” França rumo à final do Mundial com a Espanha

Os espanhóis derrotaram a Austrália por um ponto de diferença na outra meia-final.

A Argentina, campeã mundial em 1950 e “vice” em 2002, qualificou-se nesta sexta-feira para a final do 18.º Mundial de basquetebol, na China, ao derrotar a França por 80-66 nas meias-finais, marcando encontro com a Espanha.

Muito mais intensa, sobretudo na defesa, a formação sul-americana dominou por completo os “carrascos” dos Estados Unidos, num jogo que arrancou com um parcial de 10-2 e só esteve uma vez em desvantagem (23-24, no início do segundo período).

Individualmente, o poste Luis Scola, de 39 anos, deu uma verdadeira lição de bem jogar basquetebol, ao acabar o encontro com 28 pontos e 13 ressaltos, incluindo três triplos.

O actual jogador dos Shanghai Sharks, campeão olímpico em 2004, esteve muito bem acompanhado, nomeadamente do base Facundo Campazzo, que pautou todo o jogo dos “albi-celestes”, fechando o embate com 12 pontos, sete ressaltos e seis assistências.

Gabriel Deck, com 13 pontos, e Luca Vildoza, com 10, também marcaram na casa das dezenas, num conjunto de Sergio Hernández que, colectivamente, foi implacável em termos defensivos, anulando por completo todas as “estrelas” francesas.

O poste Rudy Gobert, que tinha sido um “monstro” face aos Estados Unidos, nos “quartos”, foi completamente “engolido” pelos sul-americanos, ficando-se por míseros três pontos - só lançou três “tiros” de campo, em 29.04 minutos - e 11 ressaltos.

Frank Ntilikina acabou por ser o melhor, com 16 pontos, o mesmo registo de Evan Fournier, que também esteve a “quilómetros” do que fez face aos norte-americanos, já que só acertou seis de 17 “tiros” de campo e desperdiçou quatro de sete lances livres.

A linha de lance livre foi, aliás, um enorme problema para os franceses, que encerraram o jogo com “paupérrimos” 52%, com 13 marcados, em 25 tentados, incluindo dois em seis numa fase importante, quando tentavam “reentrar” no jogo no quarto período.

O conjunto europeu “conseguiu” até, com uma equipa bem mais alta, perder a luta nas tabelas, ao ficar-se pelos 36 ressaltos, contra 41 dos argentinos.

A França marcou o primeiro lançamento do jogo, mas a Argentina mostrou logo ao que vinha: defesa muito agressiva, a dar tudo em casa jogada, e muita inteligência no ataque, com Scola em destaque, que valeu uma prematura vantagem de 10-2.

Os gauleses reagiram e chegaram a estar a dois pontos (14-12), mas os argentinos não se assustaram e mantiveram-se na frente, terminando o período inicial a vencer por três (21-18).

No início da segunda parte, a França conseguiu, num ápice, voltar ao comando, por um ponto (24-23), mas o técnico argentino solicitou um desconto de tempo, os jogadores voltaram a aumentar a intensidade defensiva e regressaram depressa ao comando.

O intervalo chegou com os sul-americanos já com sete pontos à maior (39-32), depois de um espectacular “triplo” de Campazzo em cima da “buzina”, isto depois de uma primeira parte que os gauleses concluíram com dois em 13 nos “triplos”.

O domínio dos argentinos acentuou-se no início da segunda parte, com a vantagem a crescer rapidamente para “escandalosos” 15 pontos (55-40) e a estabilizar-se acima da dezena até ao final do terceiro período (60-48).

No começo do quarto período, com Gobert mais activo, os gauleses colocaram-se a oito pontos e pareciam capazes de ainda puderem discutir o resultado, mas até a linha de lance livre os atraiçoou, minando por completo a confiança, que já não era muita.

Assim, os argentinos rumaram tranquilamente para a vitória, que Scola “selou” de forma magistral, com dois “triplos” consecutivos, que deixaram o resultado em 74-59, a 3m12s do fim. Até ao final, foi só cumprir calendário.

No domingo, a Argentina vai discutir o título com a Espanha, num embate que colocará frente a frente vários companheiros de equipa no Real Madrid (Campazzo, Laprovittola e Deck, pelos argentinos, e Llull e Rudy Fernández, pelos espanhóis), Scola perante Gasol e terá em campo as duas melhores defesas da prova.

Espanha-Austrália: jogo de nervos até ao último segundo

No Espanha-Austrália, a selecção europeia venceu por 95-88, após dois prolongamentos. Numa reedição, com o mesmo desfecho (89-88 para os espanhóis), do jogo do bronze dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, o “cinco” de Sergio Scariolo esteve quase sempre em desvantagem no tempo regulamentar, mas reagiu a tempo de forçar o tempo extra.

Os espanhóis entraram bem no primeiro prolongamento, abrindo cinco pontos de vantagem, mas só se conseguiram ‘desembaraçar’ dos australianos no segundo, com um parcial de 10-0 - após sofrerem dois pontos -, com dois triplos de Sergio Llull.

A defesa foi a chave do sucesso dos espanhóis, que chegaram a estar a perder por 11 pontos (39-50, a 4.50 minutos do final do terceiro quarto), tal como a efectividade nos lances livres - 18 em 20 antes de Ricky Rubio falhar dois com o jogo resolvido.

Em termos individuais, a Espanha contou com o regresso do melhor Marc Gasol, autor de 33 pontos, seis ressaltos e quatro assistências, replicando o que o irmão Pau fizera, há três anos (31 pontos e 11 ressaltos), no jogo do bronze olímpico.

O base Ricky Rubio, com 19 pontos, 12 ressaltos e sete assistências, foi também de determinante, sobretudo porque disse presente nos momentos decisivos, tal como Llull, Victor Claver e Rudy Fernández, impressionante na defesa.

Na formação australiana (superior nas tabelas, com 57 ressaltos, 20 ofensivos, contra 43), Patty Mills foi o melhor, com 32 pontos, mas só acertou quatro de 11 triplos tentados e falhou três lances livres (oito em 11), um deles determinante, a 4,7 segundos do fim do tempo regulamentar, com 71-71.

Por seu lado, Nic Kay esteve em grande nível, com 18 pontos e 11 ressaltos, ao contrário de Joe Ingles (quatro pontos), Matthew Dellavedova (seis) ou Aron Baynes (seis), três elementos do “cinco” que ficaram curtos pontualmente.

A Espanha chegou a 5-0, mas o primeiro período foi pautado pelo equilíbrio, com várias igualdades e alternâncias no marcador, com Llull a ter a última palavra, com um triplo sobre a buzina que deu vantagem aos europeus (22-21).

Os australianos responderam com seis pontos consecutivos no início do segundo período (27-22) e, perante uma Espanha sem acerto nos lançamentos, dominaram por completo o jogo até ao intervalo, ao qual chegaram a vencer por 37-30.

No início da segunda parte, os espanhóis aproximaram-se (40-37), mas o conjunto da Oceânia rapidamente assumiu, de novo, o comando, chegando a uma vantagem máxima de 11 pontos (50-39), reduzida para quatro (55-51) no final do terceiro período.

No quarto parcial, a Austrália foi-se conseguindo manter por cima e, a 2m54s do final, liderava por cinco (70-65), depois de três lances livres de Mills, só que a Espanha, liderada por Gasol e Rubio, conseguiu, finalmente, inverter o resultado.

Rubio encurtou para três e Gasol para um, antes de, a 8,7 segundos do final, sofrer uma falta, que lhe permitiu colocar a Espanha a vencer por 71-70, a 8,7 segundos do final.

Na jogada imediata, Mills assumiu e também sofreu falta, com 4,7 segundos para jogar, só que, depois de acertar o primeiro lance livre, falhou o segundo. Rubio ganhou o ressalto e quase apurou a Espanha com um lançamento de meio campo.

O jogo foi, porém, para prolongamento, com a Espanha, embalada, a entrar melhor e a ganhar cinco pontos de avanço, mas com pronta reacção dos australianos, que passaram para o comando a 14,2 segundos do fim, com dois lances livres de Mills.

Na resposta, com 4,6 minutos para jogar, Gasol sofreu falta e não tremeu da linha de lance livre, empatando o jogo. Do outro lado, Dellavedova ainda teve a oportunidade de dar o triunfo à Austrália, mas o seu tiro apertado não entrou.

O encontro acabou por resolver-se no segundo prolongamento, com Andrew Bogut (12 pontos e nove ressaltos) a adiantar a Austrália e a Espanha a responder com um parcial de 10-0, com dois pontos de Claver, dois de Gasol e dois ‘triplos’ de Llull.

Os australianos não desistiram, mas a Espanha, experiente, controlou o encontro, que sentenciou em definitivo a 23,1 segundos do final, com um lançamento de Gasol.

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