www.sabado.ptleitores@sabado.cofina.pt (Sábado) - 13 set 01:58

A justiça do juiz Rangel

A justiça do juiz Rangel

O regresso dos dois juízes mostra como se perdeu a noção de decência e prova, mais uma vez, como a presunção de inocência é de aplicação seletiva neste país. - Opinião , Sábado.

O regresso dos juízes desembargadores Rui Rangel e Fátima Galante ao ativo, enquanto decorre a investigação de que são alvo por suspeitas de corrupção, é uma vergonha sem comparação recente na justiça. Primeiro, a demora da investigação é inaceitável. À falta de outra explicação, evidencia a doença da proteção corporativa. Mesmo que não corresponda à verdade, a perceção pública que fica, produzindo um dano brutal na imagem do poder judicial, é a de que estamos perante uma despudorada proteção entre pares.

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Por outro lado, o regresso dos dois juízes mostra como se perdeu a noção de decência e prova, mais uma vez, como a presunção de inocência é de aplicação seletiva neste país. Serve para quem tem poder, é esmagada em relação ao Zé Ninguém que todos os dias enfrenta o sistema judicial.

Aceitar regressar ao ativo e não pedir escusa enquanto a investigação decorre também diz muito sobre a formação e conceção ética dos juízes em causa. Não resolver rapidamente um caso que simboliza uma justiça clientelar, atravessada por interesses inconfessáveis, é o mesmo que dizer que a justiça que vale neste País é, precisamente, a de Rui Rangel, seja lá isso o que for. Se os indícios da prática de crimes têm uma valoração especial consoante o agente que os pratica onde vai parar o Estado de Direito Democrático!?

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