observador.ptobservador.pt - 13 set 12:28

Dois asteroides vão passar de raspão pela Terra. E trazem boas e más notícias

Dois asteroides vão passar de raspão pela Terra. E trazem boas e más notícias

Dois asteroides, um dos quais com 650 metros, vão passar pela vizinhança da Terra. Não representam perigo, mas só por enquanto. Pelo sim, pelo não, há quem queira desviar corpos como este para longe.

Vai ser uma noite de visitas para o planeta Terra. Dois asteroides, um com até 260 metros de diâmetro e outro que pode chegar aos 650, vão passar por nós a uma distância de 5,6 milhões de quilómetros. Pode até parecer muito — e é: corresponde a 14 vezes a distância que nos separa da Lua. Pode parecer seguro — e também é: a NASA emitiu um comunicado a garantir que não há motivos para preocupações. Mas, à escala astronómica, é uma passagem à tangente. Um tiro de raspão. Um acidente que não acontece por uma unha negra. Mais ou menos.

De acordo com as estatísticas da Agência Espacial Europeia (ESA), se a Terra fosse atingida por um destes asteroides, seria um desastre ligeiramente pior do que detonar uma Tsar Bomba, que tinha 50 megatoneladas de energia, mas sem o perigo da radioatividade. Essas são as más notícias. As boas é que isso não está para a acontecer: “Há pequenos asteroides a passar tão perto da Terra a toda a hora”, relativiza Lindley Johnson, cientista do programa de defesa planetário da agência espacial norte-americana.

A outra boa notícia é que colisões dessas acontecem muito de vez em quando, lembra a ESA, que garante que asteroides deste tamanho podem demorar entre 10 mil anos e um milhão de anos a atingir a Terra. Ora, esse é o tempo de um suspiro na linha de tempo geológica, mas uma eternidade tendo em conta a duração da vida humana.

Ainda assim, uma colisão com estes asteroides pode mesmo acontecer um dia. O que nos pode descansar é que as agências espaciais estão bem cientes disso, por isso mantêm estes corpos celestes debaixo de olho: “É factual que temos de continuar a monitorizar estes asteroides, pois a órbita fará com que ele passe perto da Terra repetidamente ao longo dos anos. E, um dia, poderá representar um risco real”, explica a Sociedade Americana de Astronomia.

Quando é que isso vai acontecer? Não há datas, mas será “num futuro distante”, garante a sociedade. De qualquer modo, mesmo que esse dia chegasse agora, em princípio poderíamos respirar de alívio: “Lembrem-se que a Terra é amplamente coberta pelos nossos oceanos e é pouco povoada e, portanto, a probabilidade de atingir a sua vizinhança é extremamente baixa”, explicou Danica Remy, presidente da Fundação B612, uma empresa privada que está a desenvolver mecanismos para desviar as órbitas dos asteroides que ameaçam a Terra.

Segundo Danica Remy, já há tecnologia capaz de, pelo sim, pelo não, desviar estes corpos celestes para longe da Terra. Assim evitava-se um desastre, mesmo que só estivesse para acontecer daqui a muito tempo. Mas “é preciso que haja disponibilidade financeira”, diz o presidente da Fundação.

De resto, “estes asteroides foram bem observados e as órbitas são bem conhecidas”, acrescenta Lindley Johnson. “Atualmente, existem vários observatórios em todo o mundo dedicados a rastrear asteroides como este. Em breve serão postos a funcionar uns mega-telescópios financiados pelo governo norte-americano que prometem dar uma contribuição substancial à população de grandes asteroides próximos da Terra”, adianta um comunicado da Sociedade Americana de Astronomia.

O primeiro visitante chama-se 2010 C01, tem entre 120 e 260 metros de diâmetro e vai passar por nós quando o relógio bater as 4h42 de este sábado. O outro asteroide, 2000 QW7, com entre 290 e 650 metros de diâmetro, passa cerca de 20 horas depois, às 00h54 de domingo. Ambos os corpos celeste viajam a 23 mil quilómetros por hora e constam numa base de dados chamada “Dados de Passagens Próximas”, onde a NASA monitoriza os Objetos Próximos à Terra (NEOs, do inglês Near-Earth Objects) — os corpos celestes cuja órbita à volta do Sol intersecta a nossa, o que pode implicar um perigo de colisão no futuro.

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