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Portugal em risco de não cumprir metas para as renováveis em 2020

Portugal em risco de não cumprir metas para as renováveis em 2020

APREN diz que "ritmo de instalação de centrais renováveis é insuficiente" para chegar a 60% de eletricidade renovável no consumo nacional.

De acordo com um relatório da Comissão Europeia, que avalia a reestruturação da legislação para a taxação de produtos energético e da eletricidade, em oito Estados-membros, incluindo Portugal, a percentagem de renováveis terá de aumentar rapidamente entre dois a quatro pontos percentuais para conseguirem atingir as metas estabelecidas já para o próximo ano.

Além de Portugal, Bélgica, Alemanha, Espanha, Chipre, Malta, Eslovénia e Eslováquia também estão neste grupo.

“Este objetivo requer um crescimento mais rápido e maiores níveis de investimento face ao passado”, refere o relatório, que cita um estudo do Tribunal Europeu de Auditores, de agosto de 2019.

A Associação de Energias Renováveis (APREN) também receia que Portugal falhe com as metas que assumiu para 2020. “Em 2018 registou-se um reduzido valor de nova capacidade renovável a entrar em operação, com a entrada de apenas 300 MW (maioritariamente solar fotovoltaico, incluindo autoconsumos, mas também eólica, uma pequena central hídrica e biomassa). Este ritmo de instalação de centrais renováveis é claramente insuficiente para cumprir os objetivos com que o País se comprometeu até 2020 – cerca de 60% de eletricidade renovável no consumo nacional“, conclui a APREN no seu Anuário 2019.

O estudo do Tribunal Europeu de Auditores diz ainda que o progresso feito até agora na Europa afinal “pode não ser suficiente para chegar aos 20% de renováveis no consumo total de energia até 2020”. Em 2017, 11 dos 28 países da União Europeia (Bulgária, República Checa, Dinamarca, Estónia, Croácia, Itália, Lituânia, Hungria, Roménia, Finlândia e Suécia) já tinham chegado a esta meta e outros três (Grécia, Letónia e Áustria) estavam no bom caminho.

Pelo contrário, atesta o relatório, seis países – Holanda, França, Irlanda, Reino Unido, Luxemburgo e Polónia – não deverão cumprir os objetivos estabelecidos para 2020.

No entanto, o relatório Renewable Energy Progress pinta um cenário mais otimista. “Em 2017, a UE chegou aos 17,52% de energias renováveis na energia final consumida, face aos 20% previsto para 2020 e acima da trajetória de 16% apontada para 2017/2018”. E conclui ainda que a UE está “no caminho certo para cumprir as metas”.

De acordo com o secretário de Estado da Energia, João Galamba, Portugal está no bom caminho. “Em 2016 foi o primeiro país a comprometer-se formalmente com a neutralidade carbónica em 2050, foi o primeiro a elaborar um roteiro único para esse objetivo, e temos o Plano Nacional de Energia e Clima (PNEC), que é deste governo mas é um plano até 2030 e por isso compromete o país até essa altura. O governo e o PS estão comprometidos com esse plano, e nas eleições o mais importante é perceber o que os partidos vão apresentar nesta área. Temos um PNEC muito ambicioso, já com metas de incorporação de renováveis de 47% no consumo final de energia até 2030, e que a produção de eletricidade seja acima de 80% de fontes renováveis. Estamos no bom caminho. Em 2019 tomámos um conjunto de medidas que contribuem para o cumprimento das metas e aceleração da trajetória do país. Mas temos de acelerar um pouco mais. Será um tema incontornável nas eleições”, disse Galamba em entrevista ao Dinheiro Vivo.

A Comissão Europeia anunciou uma meta de 32% de renováveis até 2030. Já em Portugal, as renováveis deverão representar 80% do consumo elétrico em 2030, estando previsto um aumento da capacidade instalada até aos 28,8 GW, que compara com os 11,8 GW em 2015.

Também a UE já propôs que o bloco chegue à meta das emissões zero atér meados do século. Para isso, Bruxelas tem de investir no setor energético e em infraestruturas 575 mil milhões de euros por ano após 2030.

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