observador.ptobservador.pt - 11 set 15:56

13 anos depois, a seleção de basquetebol dos Estados Unidos perdeu um jogo. E foi eliminada do Mundial ainda nos quartos de final

13 anos depois, a seleção de basquetebol dos Estados Unidos perdeu um jogo. E foi eliminada do Mundial ainda nos quartos de final

Desde 2006 que a seleção de basquetebol norte-americana não perdia. Caiu agora com a França, nos quartos do Mundial, e falhou a defesa do bicampeonato num torneio que é o mais renhido dos últimos anos

13 anos. Desde 2006, no Japão e nas meias-finais do Mundial daquele ano que acabou por ser conquistado por Espanha, que a seleção de basquetebol dos Estados Unidos. De lá para cá, o conjunto de jogadores que atuam normalmente na liga mais famosa do mundo, na melhor liga do mundo e naquela que coloca milhares de crianças no mundo inteiro a desejar serem jogadores de basquetebol quando crescerem, não voltou a perder. Até esta quarta-feira. Até aos quartos de final do Mundial que está a decorrer na China.

A seleção norte-americana foi eliminada pela França ao perder 79-89, num jogo onde nunca mereceu realmente a vitória e onde o francês Rudy Gobert, que joga nos Utah Jazz, esteve em especial destaque (acabou o encontro com 22 pontos e 16 ressaltos). Ainda que a eliminação precoce não seja propriamente uma surpresa total, a verdade é que os Estados Unidos eram os principais favoritos à conquista do Mundial — ou pelo menos à chegada à final. Ainda assim, a equipa orientada por Gregg Popovich sabia que não ia ter, desde logo, o poderio e a qualidade que tem vindo a ter desde o início dos anos 90 e da Dream Team dos Jogos Olímpicos de Barcelona. Esta seleção, que é normalmente baseada nas equipas da NBA, não tinha LeBron James, não tinha Stephen Curry, não tinha James Harden e não tinha Kevin Durant: para citar apenas alguns dos melhores jogadores das últimas temporadas do basquetebol norte-americano que recusaram ser chamados ao Mundial.

Existem vários motivos para esta debandada em massa da seleção dos Estados Unidos. E o primeiro — e principal — de todos eles é o receio de lesões. Em 2014, quando atuava nos Indiana Pacers, Paul George fraturou a tíbia e o perónio ao cair mal durante um treino, ainda antes do início do Mundial desse ano, e acabou perder por inteiro a temporada seguinte. O risco de uma lesão grave, que pode acontecer durante a época regular ou mesmo nos playoffs mas que ao ser no verão coloca em causa um ano completo, afasta as estrelas da NBA dos compromissos internacionais. Depois, as equipas da NBA: com o passar dos anos, as franquias foram gostando cada vez menos de que os atletas desperdiçassem os meses de verão com a seleção quando podiam estar com a equipa, com os colegas e com o treinador, a preparar o início da liga. Este aspeto específico, onde as equipas incentivam a inclusão dos jogadores nos trabalhos de pré-época desde muito cedo, ao invés da ida ao Mundial ou aos Jogos Olímpicos, torna-se particularmente relevante neste verão, já que o período de free agency da NBA foi particularmente intenso.

13 anos depois, a seleção norte-americana de basquetebol voltou a perder e falhou a defesa do título. Naquele que já é sem sombra de dúvidas o Campeonato do Mundo mais renhido da história mais recente, Argentina e França vão encontrar-se nas meias-finais e Espanha terá pela frente a Austrália. A única certeza é que na final não vai estar a seleção bicampeã mundial — e aquela que era desde 2006 totalmente invencível.

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