observador.ptMaria João Marques - 11 set 07:15

As grandes empresas estão a destruir o capitalismo

As grandes empresas estão a destruir o capitalismo

O tamanho das empresas tem de ser contido. Os reguladores reforçados e tornados mais eficientes (em Portugal são risíveis). As empresas pequenas e médias e recém-nascidas obrigatoriamente facilitadas.

As notícias são recorrentes. Aqui temos o Deutsche Bank subornando anos a fio – oficiais dos regimes russo e chinês – em forma de empregos com salários milionários aos seus imprestáveis familiares. Não foi o único banco multado por tal boa prática empresarial, e também não se tratou de primeira multa do DB por atos, digamos, desviantes.

Por cá, vários bancos acabam de ser multados pela Autoridade da Concorrência por cartelização e troca de informação sobre preços que iriam praticar para emprestarem dinheiro. Trocado por miúdos, concertaram o spread que cobraram aos clientes, incluindo no crédito à habitação, o que levou a um aumento sustentado desses spreads refletindo-se no aumento dos juros pagos pelas famílias aos bancos. Isso: em vez de concorrência entre si, os bancos acordaram elevarem as prestações dos empréstimos a famílias e empresas.

Até a CGD – o banco público alegadamente existente para permitir o acesso ao crédito e aos produtos bancários de candidatos mais problemáticos – entrou nestes esquemas de extorquir os clientes com juros artificialmente insuflados. Mas já sabíamos que a CGD é um bas fond moral do regime.

As seguradoras Zurich e Lusitânia, numa vez, e Fidelidade e Multicare, noutra, também já foram multadas pela AdC. Por segmentação de mercado combinada e fixação de preços entre os concorrentes (é como quem diz).

Grandes empresas com lucros brutais têm na base da pirâmide trabalhadores num nível de exploração atroz. Seja a Amazon nos seus centros de logística seja a Nutella usando refugiados sírios quase como trabalho escravo nas plantações de avelãs na Turquia.

Quando necessário, há que produzir legislação que garanta que umas empresas, maiores, não sejam predadoras de outras.

As soluções económicas adequadas nos anos 1970 para sair da crise do petróleo não são úteis em 2019. O mundo muda e as políticas económicas devem transformar-se igualmente. Se a direita continuar a preferir gritar que é socialismo qualquer crítica aos mercados e ao capitalismo protetor das grandes empresas, bom, não se queixem quando a esquerda desferir os golpes. Os eleitores costumam preferir quem, pelo menos, entenda que os problemas existem.

1
1