expresso.ptexpresso.pt - 11 set 08:22

Duas britânico-australianas e um australiano detidos no Irão

Duas britânico-australianas e um australiano detidos no Irão

Os presos são uma académica, detida há vários meses, e uma blogger e o seu parceiro australiano, detidos há várias semanas num incidente não relacionado. As mulheres terão sido enviadas para uma prisão de Teerão, enquanto o paradeiro do homem é desconhecido. As prisões ocorrem num contexto de tensões crescentes no Estreito de Ormuz

Três cidadãos australianos encontram-se atualmente detidos no Irão.

Entre eles está uma académica, também com passaporte britânico e que dá aulas numa universidade da Austrália, presa há vários meses, segundo confirmaram fontes citadas pelo jornal “The Guardian”. Há várias semanas, num incidente não relacionado, uma blogger, também britânico-australiana, e o seu parceiro australiano foram detidos quando viajavam no Irão. Acredita-se que o casal estivesse acampado numa base militar na província de Teerão.

As duas mulheres terão sido enviadas para a prisão de Evin, na capital iraniana, onde a cidadã britânico-australiana Nazanin Zaghari-Ratcliffe se encontra presa desde 2016, acusada de espionagem. O paradeiro do homem é desconhecido.

“Comportamento desestabilizador” de Teerão

O Governo australiano lidera as negociações com o Irão sobre as condições de prisão e a possível libertação dos três detidos. Um porta-voz confirmou ao “Guardian” que o Departamento dos Negócios Estrangeiros está “a prestar assistência consular às famílias de três australianos detidos no Irão” mas, tendo em conta as “obrigações de privacidade”, não quis elaborar sobre o caso.

As prisões ocorrem num momento de tensões crescentes entre Teerão e uma pequena coligação liderada pelos EUA – e que inclui o Reino Unido, a Austrália e o Bahrein – que enviará navios de guerra para patrulhar o Estreito de Ormuz.

Em agosto, referindo-se à captura pelo Irão de navios com bandeira estrangeira como um “comportamento desestabilizador”, o primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, sublinhou a ameaça que isto representa para os interesses do seu país numa das vias mais importantes no mundo para a circulação de petróleo.

Austrália desaconselha viagens para o Irão

Segundo o diário “The Times”, que cita uma fonte próxima do caso, a académica foi condenada a 10 anos de prisão e está em regime de prisão solitária. A mesma fonte revelou que a blogger foi informada pelas autoridades iranianas de que havia sido detida para facilitar uma troca de prisioneiros com a Austrália.

As autoridades australianas atualizaram esta segunda-feira as suas recomendações de viagem para o Irão, sugerindo que se “reconsidere a necessidade de viajar” para o país e desaconselhando deslocações para áreas de fronteira com o Afeganistão e o Irão. “Há o risco de estrangeiros, incluindo australianos, serem arbitrariamente detidos ou presos no Irão. Não podemos garantir acesso consular em caso de detenção ou prisão. Também não podemos garantir acesso a representação legal”, refere a nota divulgada. Desaconselha-se igualmente a visita a instalações militares ou nucleares que “nem sempre estão claramente marcadas”.

Teerão não reconhece dupla nacionalidade

Sabe-se que pelo menos 12 cidadãos com dupla nacionalidade e estrangeiros – ou cidadãos iranianos com residência permanente no exterior – estavam presos no Irão em julho, de acordo com a organização não-governamental (ONG) Centro para os Direitos Humanos no Irão. A maioria acumula a nacionalidade iraniana com outra mas Teerão não reconhece a dupla nacionalidade, pelo que os detidos têm frequentemente barrado o acesso a funcionários da embaixada do outro país que consta dos seus passaportes.

O padrão para o encarceramento de estrangeiros inclui a prisão em regime de solitária, interrogatórios, ausência de processos legais, falta de acesso a advogados e uma recusa do acesso consular ou de visitas das Nações Unidas ou de organizações humanitárias. Os cidadãos estrangeiros são submetidos a julgamentos secretos e condenados a longas penas de prisão com base em acusações de “espionagem” ou outra atividade atentatória da “segurança nacional”, acrescenta a ONG.

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