expresso.ptexpresso.pt - 11 set 10:43

Dívida. Centeno coloca 1000 milhões ao juro mais baixo de sempre

Dívida. Centeno coloca 1000 milhões ao juro mais baixo de sempre

Portugal regressou esta quarta-feira ao mercado obrigacionista com um leilão de títulos a 10 e 15 anos onde pagou taxas de 0,264% e 0,676%, novos mínimos históricos. O Tesouro já financiou 85% das necessidades de endividamento obrigacionista do ano

Portugal colocou esta quarta-feira 1000 milhões de euros em dívida a 10 e 15 anos tendo pago as taxas mais baixas de sempre. Mário Centeno e a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) fixaram novos mínimos históricos nas taxas de colocação de dívida naqueles prazos.

A 10 anos, emitiu €600 milhões de euros a uma taxa de 0,264%, abaixo da registada no mercado secundário e muito abaixo de 0,51% paga no leilão anterior em julho.

No prazo mais longo, colocou €400 milhões a uma taxa de 0,676%, abaixo da registada no mercado secundário e muito inferior a 1,43% paga no leilão de julho.

"O leilão reflete o atual momento do mercado, com grande procura por toda a taxa fixa na zona euro. A procura excedeu a oferta em mais de 2x. As taxas saíram inclusivamente um pouco abaixo das que se praticam no mercado secundário na véspera de reunião decisiva do Banco Central Europeu ", refere-nos Filipe Garcia, presidente da consultora Informação de Mercados Financeiros..

No entanto, emitiu o mínimo do intervalo de colocação, que poderia ir até 1250 milhões de euros. A procura foi de 2,1 vezes superior à colocação a 10 anos e 2,3 vezes acima da emissão a 15 anos.

Com esta colocação de mil milhões de euros, o Tesouro já financiou 85% do montante previsto para a emissão de obrigações que soma 15,6 mil milhões de euros em 2019.

Mínimos históricos nos juros em emissão de dívida

Em virtude dos mínimos sucessivos registados nas taxas pagas em leilões de dívida desde janeiro, o juro médio da dívida emitida este ano já desceu, até final de julho, para um mínimo histórico de 1,3%. Recorde-se que, em 2015, quando Mário Centeno iniciou o seu mandato à frente das Finanças, aquele juro médio estava em 2,7%, mais do dobro. "Portugal continua a beneficiar com as taxas de juro baixas e vai renovando a sua dívida com yields cada vez mais baixas, o que tem permitido baixar o custo médio da mesma", sublinha, por seu lado, Filipe Silva, diretor de Gestão de Ativos do Banco Carregosa.

O leilão fixou novos mínimos históricos, mas ocorreu num período em que as taxas dos títulos têm estado em alta no mercado secundário (onde os investidores transacionam os títulos) desde os mínimos de meados de agosto.

As dúvidas dos investidores em relação ao pacote de estímulos que o Banco Central Europeu (BCE) vai divulgar na quinta-feira, prevendo que venha a ficar abaixo das expectativas alimentadas no início do verão, provocaram uma trajetória de alta nas taxas.

Recorde-se que as taxas no mercado secundário chegaram a cair para 0,064% a 10 anos, já muito perto de zero por cento, e 0,402% a 15 anos.

"Nos últimos dias os juros da dívida subiram cerca de 20 pontos-base (0,2 pontos percentuais) devido ao refrear de expectativas que alguns membros do BCE entenderam fazer quanto à reunião de quinta-feira e com notícias de que a Alemanha planeia iniciar um programa de investimento público através da emissão de dívida por parte de agências governamentais", conclui Filipe Garcia.

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