ionline.sapo.ptCarlos Zorrinho - 11 set 10:20

Maioria social inequívoca

Maioria social inequívoca

Para cumprir a legislatura com os resultados e a consistência que são reconhecidos, foi determinante para o Governo do Partido Socialista ter assegurado uma base parlamentar maioritária resiliente, confiável e consistente.

O atual Governo cumpriu totalmente a legislatura, num clima de grande estabilidade social e política, e aplicou, com as necessárias atualizações de contexto, o essencial do seu programa de ação. Os estudos de opinião disponíveis comprovam que essa perceção é partilhada pela grande maioria dos observadores políticos nacionais e estrangeiros e está também fortemente enraizada na população portuguesa.

Essa base parlamentar foi tecida e mantida coesa por mérito indiscutível da capacidade negocial dos protagonistas envolvidos e porque foram criadas as condições para gerar, ao longo de todo o ciclo político, uma maioria social inequívoca de apoio ao Governo. Constatar e analisar este facto é fundamental quando se aproximam novas eleições e se começam a projetar e a debater cenários pós-eleitorais, a dissecar sondagens e a inferir possibilidades de acordos e modelos de governação.

Os acordos escritos que viabilizaram a governação neste ciclo foram, antes do mais e sobretudo, uma exigência política de Cavaco Silva a que os protagonistas acederam em nome de um interesse maior. Uma visão retrospetiva das declarações dos vários líderes demonstra que aos partidos e movimentos envolvidos teria bastado uma convergência nos princípios orientadores e no modelo de articulação e consultas, garantindo dessa forma a maioria social de apoio que consolidou e amarrou a maioria parlamentar.

Como é normal numa democracia saudável, os resultados das eleições de 6 de outubro serão determinantes para a definição do que se vai passar nos quatro anos seguintes na política portuguesa e na governação do país. Desde logo, embora os estudos disponíveis a identifiquem como uma hipótese residual, tudo mudará se o bloco de centro-direita conseguir uma maioria de deputados. É uma hipótese que aparenta, neste momento, ser meramente académica, mas, em democracia, todas as hipóteses têm de ser consideradas.

A não acontecer uma inversão de maioria, serão o peso relativo dos vários partidos e a dimensão da bancada do Partido Socialista, como referência de continuidade de uma governação progressista, a determinar as condições para a estabilidade, para a credibilidade externa do país, para a manutenção dos níveis de confiança na sociedade portuguesa e para a concretização de uma agenda política forte e transformadora.

Tal como no ciclo que agora termina, a chave para o sucesso do próximo mandato será a capacidade do Governo e do Parlamento eleito, em coordenação com a Presidência da República e com as outras instituições, de gerarem soluções, programas, reformas e medidas concretas que envolvam, mobilizem e tenham o apoio da maioria social, nas suas múltiplas configurações.

Cada partido e movimento pedirá para si, naturalmente, o voto dos eleitores no dia 6 de outubro. Todos pugnarão pelo melhor resultado. A partir da escolha dos eleitores é preciso constituir uma solução governativa que continue a garantir uma maioria social inequívoca. Uma maioria pelo progresso, pela justiça, pelo combate às desigualdades e pela afirmação do país numa nova ordem global, cada vez mais complexa e exigente.

Eurodeputado

1
1