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Altice sobre 5G. "Estamos atrasados perante a Europa"

Altice sobre 5G. "Estamos atrasados perante a Europa"

O país está atrasado no 5G face à Europa dado as incertezas relativamente ao processo de atribuição de licenças e libertação do espectro

A Altice não tem dúvidas, o país está atrasado em relação à Europa no arranque do 5G e há fortes probabilidades de se falhar a meta de junho de 2020.

“Há uma situação fundamental que é a atribuição das faixas de frequência. Existe uma precedência fundamental para que essas frequências sejam atribuídas, leiloadas, vendidas, oferecidas aos operadores de telecomunicações. E isso tem a ver com a libertação da faixa de frequências que hoje em dia está a ser utilizada pela TDT”, diz Luís Alveirinho, CTO da Altice Portugal, em declarações ao Dinheiro Vivo, à margem do simulacro de 5G realizado esta quarta-feira no Altice Labs, em Aveiro.

A rede TDT, da qual a dona do Meo detém a concessão, usa a banda dos 700 Mhz que tem de ser libertada para ser usada para o 5G. “Temos vindo a partilhar sistematicamente com o poder político e com a Anacom de que existe um tempo para o fazer e já se queimou”, frisa o responsável. E explica porquê. “Mudar todo o espectro de frequências em Portugal Continental, Madeira e Açores, alterar as frequências, por as pessoas a resintonizar as televisões, os equipamentos, tem um tempo para o fazer. E neste momento ainda decorre a consulta pública sobre a libertação das frequências do TDT. Temos um prazo para responder que se esgota muito em breve, uma semana pouco mais do que isso, há uma decisão da Anacom que não sabemos quando, mas não será em setembro de certeza, muito provavelmente só ocorrerá em outubro. E depois temos cerca de 9 meses para fazer a transformação dessa rede. Estamos a queimar tempo. É nesse sentido que dizemos que poderá estar em causa em junho do ano que vem. Não que não estejamos tecnologicamente preparados”.

O responsável fala em demasiadas incógnitas no processo que impacta na tomada de decisão dos operadores. “Não sei quantas equipas vão jogar no campeonato nacional, não sei se para ganhar o jogo são dois, três pontos ou 1,5, não sei a que preço vou comprar o espectro, em que condições vou ter acesso, quanto espectro terei disponível para ser leiloado, se é um leilão, um beauty contest… Há demasiadas incertezas para, com racionalidade, alguém possa dizer e carimbar por baixo para dizer no dia 1 isto vai estar tudo em cima”, diz.

Que atraso isso poderá implicar Luís Alveirinho não adianta (“não sei dizer”), mas que há um atraso há. E não é só a dona do Meo a dizer isso. “A indústria, parceiros, o próprio poder político já o disse nós estamos atrasados e em particular, o que é uma coisa extremamente importante, pela primeira vez numa nova tecnologia, estamos atrasados perante a Europa”,lamenta o CTO.

“Vários países europeus, Espanha, França, Itália, Inglaterra, Alemanha, só para mencionar esses, todos já resolveram o problema de dizer quais são as frequências que vão utilizar, em que condições, qual o preço que os operadores vão ter de pagar, qual o timing em que as licenças vão estar disponíveis. Nenhuma destas condições foi ainda atingida em Portugal”, frisa.

TDT e 5G na Madeira: Anacom responde a Altice

O tema do 5G tem vindo a dividir operadora e a Anacom com o CEO da dona do Meo a responsabilizar o regulador pelo atraso neste processo. Recentemente, o secretário de Estado das Comunicações, Alberto Souto de Miranda também reconheceu haver um atraso, por não ter decorrido ainda a consulta para o 5G.

Na terça-feira, na Madeira, Alexandre Fonseca voltou a apontar o dedo à Anacom, afirmando que “mais uma vez” a Madeira e os Açores foram deixadas para o fim no processo de migração da TDT, por causa do regulador. “Serão as últimas regiões a sofrer migração tecnológica do TDT. Mais uma vez a insularidade fica vincada numa postura do regulador que não concordamos”, disse.

A Anacom já reagiu. A proposta de deixar as regiões autónomas para último no processo de migração da TDT foi da Altice. “Em consequência das reuniões técnicas efetuadas, e no que respeita ao planeamento do processo de migração da TDT constante do roteiro, a Altice manifestou a sua preferência por inverter a ordem de realização dos trabalhos no Continente, nomeadamente devido a questões climatéricas, pretensão que a Anacom acolheu”, informou o regulador num esclarecimento enviado às redações.

“Está previsto que a equipa técnica da Altice dê início ao processo de migração a partir do Sul do país, cobrindo sucessivamente as diversas regiões contíguas e terminando no Norte. Tendo em conta que esta migração também acontecerá nos países limítrofes, Espanha e Marrocos, e dadas as necessidades de coordenação internacional da faixa, foi previsto iniciar a migração pelo Continente e terminá-la nas Regiões Autónomas”, diz a Anacom.

“A alteração atrás mencionada (iniciar de Sul para Norte e não de Norte para Sul) foi a única proposta efetuada pela Altice, sendo certo que lhe caberá assegurar as alterações da rede como prestador do serviço de transmissão do sinal da TDT. Ou seja, a Altice nunca defendeu, nem nas reuniões técnicas com a Anacom, nem em quaisquer comunicações neste âmbito, uma alteração do planeamento geográfico da migração a efetuar nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, que desde o início, pelas razões expostas, está previsto ocorrer na fase final do processo de migração da TDT.
Desse facto, porém, não resultará nenhum prejuízo para aquelas Regiões. A transição para o 5G será possível em todo o país a partir da mesma data.”

Luís Alveirinho não quis comentar. “Não quero comentar, o meu CEO já fez os comentários que refletem o que é o pensamento da Altice. A preocupação claramente é mais do que lícita da nossa parte, é também lícita do ponto de vista das regiões autónomas, julgo que essa preocupação tem muito a ver com o facto se ficarem para último também seguramente, pela questão da libertação das frequências, ficarão para último no lançamento e na disponibilização de serviços 5G”, reagiu o CTO.

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