ionline.sapo.ptMarta F. Reis - 10 set 09:46

O "Erasmus do Interior" que já existia

O "Erasmus do Interior" que já existia

Indo à substância, não será um “Erasmus do Interior” a panaceia para um país assimétrico e envelhecido, pode ser um impulso, mas é preciso compromisso, investimento, medidas de fundo que não alarguem o fosso entre regiões

O sururu dos últimos dias em torno do “Erasmus do Interior” é bem sintomático dos desafios da interioridade que o país continua a ter de resolver. António Costa anunciou a medida no sábado em Vila Real, Rui Rio veio lembrar que era o pai da boa ideia e que o PSD já tinha feito a mesma proposta – chumbada em março na AR – e afinal já existem dois programas no país que promovem a mobilidade interna para estudantes de universidades e politécnicos, desenvolvidos pelo Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas e pelo Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos. Programas de resto menos conhecidos que o Erasmus tradicional, como é muitas vezes a vida das instituições sobretudo fora dos grandes centros, mas que nenhum dos dois se lembrou de referir.

Havendo consenso entre PS e PSD sobre as virtudes do conceito na promoção do território e da vida académica nacional, por que não se avançou mais cedo? É para a próxima legislatura... Tendo sido desconhecimento ou omissão, faz sentido apresentar uma proposta de novo sem avaliar resultados e constrangimentos das experiências que já existiam? Tinham interessados, não tinham, porquê? Haver um apoio financeiro fará a diferença?

, muitas vezes a velocidades diferentes. Os jovens têm mais facilidade em ir ao estrangeiro do que a Vila Real, notou António Costa. Muitos continuarão a ter esse desejo, natural, mas uma rede de transportes funcional que aproxime interior e litoral em vez de os separar, como se o país tivesse uma dimensão que não tem, seria um princípio. 

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