www.jornaldenegocios.ptÁlvaro Nascimento - 9 set 19:43

A crise existencial da social-democracia

A crise existencial da social-democracia

E se a social-democracia de hoje, liderada por uma elite esclarecida, distante dos princípios comunitários que a fundamentam, se revelar incapaz de responder global e satisfatoriamente às preocupações de uma comunidade que, a cada dia que passa, perde a força identitária unificadora e se acha abandonada? Que futuro para as soberanias e para o poder do Estado?

A FRASE...

"O programa do Bloco é social-democrata."

Catarina Martins, Observador, 2 de Setembro de 2019

A ANÁLISE...

Quotidianamente, tropeçamos com divisões não coincidentes na sociedade: entre jovens e velhos, entre metrópoles e pequenas cidades, entre trabalho e capital, entre público o privado… Divisões que mostram que a social-democracia – que, inegavelmente, nos trouxe um período de prosperidade sem precedentes – está doente. Mais preocupantes são as segmentações inadvertidamente criadas pelas elites políticas, originando clientelas com exigências que evoluem em sentidos opostos, numa moral da razão − ou da República – que substitui o "comunitarismo" pelo "paternalismo" do Estado, sem obrigações e apenas com direitos. Nós contra eles!

A social-democracia justifica-se pelos benefícios de cooperação, balizada por princípios de justiça e não de igualdade, no respeito pelas liberdades e pela hierarquia. A garantia de direitos requer reciprocidade firme de obrigações. Quando os direitos se autonomizam das obrigações, a social-democracia é um conjunto vazio... Como ameaça ser, porque os recursos do Estado – leia-se, da comunidade − não são infinitos!

Ideologias – de esquerda e de direita – distantes do cidadão comum, dos seus anseios e das suas preocupações aparecem aos eleitores como "planificadores sociais", que exercem o poder segundo os cânones de uma moral própria que não têm eco na sociedade (cujo comunitarismo usurparam). A inadequação revela-se no abstencionismo às urnas e na fragmentação, nas causas, e nos movimentos inorgânicos que tratam todos os políticos por igual.

E, se em desespero – não confiando uns nos outros, nem no Estado – a maioria não reconhecer os políticos como ética e moralmente superiores? É este o momento para forjar novos modelos de reciprocidade no seio do capitalismo? Tal como a natureza, também os eleitores abominam o vácuo!

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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