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Dos arrepios ao 'crowdsurfing' de Tomás Wallenstein. A consagração dos Capitão Fausto no Vodafone Paredes de Coura

Dos arrepios ao 'crowdsurfing' de Tomás Wallenstein. A consagração dos Capitão Fausto no Vodafone Paredes de Coura

Banda lisboeta foi a última a subir ao palco principal do festival minhoto e sentiu arrepios de emoção. Enganou-se quem pensava que depois dos New Order haveria debandada: Tomás Wallenstein e amigos deram em Coura o seu maior concerto de sempre

Só espantará os desatentos que uma banda portuguesa encerre o maior espaço do segundo dia de um dos principais festivais do verão português. Não é uma banda qualquer. Ao longo desta década, os Capitão Fausto assumiram-se - dentro do chamado pop/rock mais ou menos alternativo - como um nome capaz de criar público, não se esquivando de tocar numa enorme quantidade de festivais, empreendendo digressões que não se ficam apenas pelas grandes cidades, fechando 'anos civis' em salas emblemáticas como o Coliseu de Lisboa. Não fazendo propriamente música para multidões, arrastam multidões, tendo tocado o nervo de uma geração que com eles estabelece uma fiel relação de cumplicidade. Há, verdadeiramente, que tenha vindo especialmente para vê-los tocar bem perto de onde nasceram os discos: Vascões, a 20 quilómetros da Praia Fluvial do Taboão.

Com o quarto álbum lançado no início do ano, "A Invenção do Dia Claro" dominou o alinhamento, no seu jeito abrasileirado, herdeiro do samba e do chorinho que uma passagem por São Paulo ajudou a absorver. Entrando em palco ao som de Vangelis, os cinco Capitão Fausto posicionaram-se bem perto um dos outros - Domingos Coimbra no baixo, Salvador Seabra na bateria, Manuel Palha na guitarra, Francisco Ferreira nos teclados e Tomás Wallenstein na voz e guitarra. O entusiasmo era visível.

Recebidos com calor num início de madrugada molhado pelo orvalho, os Capitão Fausto começam por tocar dois temas do seu repertório mais ornamentado, como 'Amanhã Tou Melhor', 'Faço as Vontades', passando depois para 'Santa Ana' (memória de "Gazela", de 2011). 'Morro na Praia' e 'Sempre Bem' mostram que a distância entre "Têm Os Dias Contados" (2016) e o novo álbum é menor do que aquela que separa estes de "Pesar o Sol" (2014), disco em que as marcas do rock psicadélico eram mais evidentes.

Visivelmente sensibilizado pela receção courense, Tomás Wallenstein afirma, a dada altura, que já está mais calmo. Depois de 'Corazón', uma 'secção' baladeira proveniente do disco de 2019: 'Amor a Nossa Vida' e 'Final' baixam as luzes. Com 'Lentamente' (muito Rita Lee) mostram a sua melhor canção pop 'brasileira', antes da primeira e única incursão no disco que lhes valeu comparações com os Tame Impala que, contudo, não se prolongariam no tempo - 'Maneiras Más', com Tomás Wallenstein a demorar a encontrar a afinação.

Para a reta final fica a muito pedida 'Teresa' (de 2011, prova de que a devoção já vem de trás). Minutos depois, já o vocalista desceu, apressadamente, às grades para encetar um rápido mas empenhado crowd surfing. Os fortes aplausos são recebidos entre abraços, ao som de 'Here Comes the Sun', a maravilhosa criação de George Harrison para "Abbey Road", dos Beatles. Os rapazes de Lisboa não se esquecerão deste concerto tão cedo.

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