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14 anos depois, vamos dançar 'Blue Moon' com os New Order outra vez. É hoje

14 anos depois, vamos dançar 'Blue Moon' com os New Order outra vez. É hoje

Há 38 anos, procuravam ultrapassar a morte de Ian Curtis, começando literalmente uma nova ordem. Esta quinta-feira regressam a Portugal pela primeira vez desde 2005: é no festival Vodafone Paredes de Coura

Publicado originalmente em blitz.pt em abril de 2019 e em papel na BLITZ - Especial Festivais 2019, nas bancas

Ian Curtis teria odiado os New Order. A ideia é defendida por John McCready, que assina o ensaio que surge no belíssimo livro que integra a reedição de luxo de “Movement”, o primeiro álbum dos New Order, que começou a ser gravado por Martin Hannett nos Strawberry Studios, em Stockport, a 24 de abril de 1981. “A putrefação, em Ian, tinha-se instalado muito cedo. Ian Curtis enquanto Iggy com um cartão de utilizador da biblioteca. Ele teria odiado os New Order. Os hedonistas disco sound alourados de ‘Technique’. Claro que posso estar errado. Talvez ele tivesse pintado o cabelo também, começado a ler manuais de instruções de caixas de ritmos e a parar em clubes de Nova Iorque por onde Madonna também andava. Diz-se que é crença de Peter Hook que, caso Ian não se tivesse matado, teria ‘fornicado enquanto atravessava a América’. E talvez tivesse começado a dançar”. Nunca o saberemos, ,as não é assim tão complicado de imaginar.

“Não sei o que pensa o leitor, depois de ler o meu livro”, explicava Lindsay Reade, primeira mulher de Tony Wilson, à BLITZ, em 2010, referindo-se às suas memórias de Ian Curtis descritas em “Mr. Manchester and The Factory Girl” (ed. Plexus, 2010), “mas eu sinto que a imagem principal que resulta da leitura é a de que ele era basicamente uma pessoa muito simpática, muito sensível e carinhosa. Não conseguiria imaginá-lo como uma estrela de rock se ele estivesse ainda vivo, porque o Ian não estava equipado com o tipo de ego necessário para isso. Ele era modesto e educado, muito esperto, determinado e também capaz de se zangar, apesar de nunca ter assistido a tal”. Talvez até tivesse dançado, então.

A REINVENÇÃO 'IMPOSSÍVEL'

Ian Curtis enforcou-se em sua casa, em Manchester, a 18 de maio de 1980, em vésperas de arrancar para a tal América em que o baixista Peter Hook acredita que o soturno cantor viria a fazer várias conquistas, e dois meses antes da edição de “Closer”. Com um grande álbum nas mãos, os restantes membros dos Joy Division – Bernard Sumner, Stephen Morris e o já citado Peter Hook – fizeram o impossível: reinventaram-se. Poucas teriam sido as bandas marcadas pela visão de um génio atormentado que lograriam renascer após um acontecimento tão dramático quanto aquele que ditou o fim dos Joy Division. Nem Bauhaus, Clash ou Smiths poderiam sobreviver ao desaparecimento dos seus carismáticos vocalistas. E, em boa verdade, os Joy Division não sobreviveram. Mas seria errado não ver no processo que levou os Warsaw a transmutarem-se em Joy Division e na deriva que conduziu essa banda de “Unknown Pleasures” até “Closer” marcos do mesmo caminho que haveria de desembocar em “Movement”.

Em dezembro de 1981, Miguel Esteves Cardoso, à época talvez o mais atento e próximo observador entre nós da cena musical alternativa que borbulhava na Grã-Bretanha, escrevia no semanário ‘Sete’ que “Movement” era “uma sumptuosidade”, “um clarão contínuo de música cortado por sombras”, explicando que “faixas tão magníficas como ‘Dreams Never End’ ou ‘Truth’ constroem-se duma tranquila melancolia onde antes existira verdadeira tristeza, e raiva, e angústia”. Ainda MEC, sabedor do que então defendia: “‘Movement’ ousa jogar tudo para ser belo, sai do casulo para procurar o entendimento e também o terror das melodias perfeitas, e, finalmente, volta as costas aos ruidosos síndromas do rock para enfrentar uma nova nobreza da música. É um disco fora do seu tempo, perdido na sua taciturna serenidade, que ficará para nos lembrar que, tal como Jorge Lima Barreto afirmou nas páginas do Sete, constitui uma violência sem perdão erigir fronteiras entre músicas supostamente populares e outras supostamente eruditas. A verdade”, assegurava o crítico, “é que ‘Movement’ é, em 1981, o primeiro álbum surgido nos cenários habituais do pop que faz troça dessas limitações”.

Da raiva para a melancolia, dos ruidosos síndromes do rock para um território novo, mais livre, onde foi possível alcançar a sumptuosidade. A morte de Ian Curtis foi a fronteira que assinalou a divisão entre Joy Division e New Order, mas a sua existência passou a ser contígua e a circulação de ideias entre ambos os territórios uma realidade. No fundo, Joy Division e New Order são duas faces de uma mesma moeda. Preciosa. E rara.

Bernard Sumner, Peter Hook

Bernard Sumner, Peter Hook

Caixa "Movement"

Há um outro elemento comum que reforça a ligação entre os Joy Division e os New Order: Martin Hannett. Este produtor, na linha de outros visionários e algo loucos magos de estúdio como Joe Meek ou Phil Spector, combinava uma profunda criatividade com uma aguçada curiosidade tecnológica e uma tortuosa personalidade. Se o criador de ‘I Hear a New World’ atirava gravadores aos seus músicos e o inventor do ‘wall of sound’ fazia valer as suas vontades na sala de controle puxando de um revólver, já Hannett, talvez mais comedido, baixava a temperatura do ar condicionado do estúdio, impondo condições dignas do ártico aos artistas para os forçar a sair, deixando-o assim em paz para tomar as gravações como pontos de partida para avançadas experiências laboratoriais, sobretudo depois de ter comprado o processador digital AMS por uma pequena fortuna.

A arte de Hannett passava, como se percebe escutando “Movement”, por construir espaço em torno de melodias, de ritmos, envolvendo vozes e instrumentos numa atmosfera muito particular: a mesa de mistura, os efeitos e, sobretudo, a sua singular capacidade de concentração eram para isso essenciais – e incompatíveis com interferências exteriores. É lendária, por exemplo, a sua insistência com Stephen Morris para gravar separadamente cada um dos elementos da sua bateria – só bombo primeiro, a tarola apenas depois, os timbalões e, finalmente, os pratos – retirando, efetivamente, o elemento humano da equação, despindo a performance rítmica até aos seus elementos mecânicos, procurando dessa forma transformar Stephen numa caixa de ritmos.

Nas notas que acompanham a reedição de “Movement”, John McCready cita uma frase atribuída a Ian Curtis que, depois de ter escutado as misturas finais de “Closer” e, sobretudo, o resultado das experiências de Hannett e das primeiras e algo tímidas abordagens de Sumner e Morris aos sintetizadores, terá dito algo como “os teclados fazem isto soar à porra dos Genesis”. Talvez, afinal de contas, Ian Curtis não tivesse vindo a dançar em Nova Iorque. Mas foi precisamente em Nova Iorque, ainda como trio, que Bernard, Peter e Stephen começaram a desenhar o futuro, cumprindo os contratos firmados antes do suicídio de Ian, com concertos que ocorreram em Nova Jérsia, Nova Iorque e Boston entre 20 e 30 de setembro de 1980.

A banda no Hurrah, em Nova Iorque, em setembro de 1980

A banda no Hurrah, em Nova Iorque, em setembro de 1980

Caixa "Movement"

Talvez tenham aí descoberto um novo pulsar – a primeira parte do seu concerto no mítico Hurrah, de Nova Iorque, contou coma prestação das ESG, que aí mesmo receberam um convite de Tony Wilson para gravar com Martin Hannett aquele que seria o seu single de estreia, “You’re No Good”, lançado com selo da Factory em junho de 1981. O funk minimal temperado de laivos latinos que animava as ESG espelhava a emergente cultura hip-hop que se escutava nos clubes e que haveria de inspirar os New Order (que mais tarde trabalhariam, por exemplo, com Arthur Baker, o mesmo produtor que assinou ‘Planet Rock’, de Afrika Bambaataa).

MOVIMENTO PERPÉTUO

Para se afastarem de Manchester e da longa sombra lançada pelo desaparecimento de Ian Curtis, os New Order gravaram o seu primeiro single em Nova Iorque, no mesmo Eastern Artists Recording Studio a que Hannett recorreu para registar a estreia das irmãs Scroggins e o primeiro álbum dos A Certain Ratio, “To Each” (lançado igualmente em 1981, tal como “Movement”). A reforçar a ideia de fluxo entre dois estados, o material aí registado, ‘Ceremony’ e ‘In a Lonely Place’, tinha ainda sido cunhado pelos Joy Division. Gravadas pelo trio em setembro de 1980, essas canções representam o início da busca de um futuro para Bernard, Stephen e Peter, futuro esse que se tornaria mais nítido algumas semanas mais tarde, já de regresso a Manchester, quando a namorada do baterista – por sugestão do manager da banda, Rob Gretton – assumiu o lugar de teclista (Gillian Gilbert estreou-se formalmente como membro dos New Order a 25 de outubro de 1980 num concerto no The Squat, em Manchester). O single gravado em Nova Iorque foi lançado pela Factory em janeiro de 1981 e relançado em setembro do mesmo ano numa nova versão que já contava com a participação de Gillian.

As duas versões de ‘Ceremony’/‘In a Lonely Place’, juntamente com os singles seguintes, ‘Everything’s Gone Green’ e “Temptation” – que representam, precisamente, esse momento em que a banda se autonomizou e assumiu que podia prosseguir sem a marcante contribuição de Ian Curtis – mereceram também reedição recente, preparando o caminho para a chegada ao mercado da versão de luxo de ‘Movement’. O primeiro álbum dos New Order é agora apresentado numa caixa que inclui não apenas uma nova prensagem em vinil do álbum da icónica capa assinada por Peter Saville (mais um sinal da harmónica transição dos Joy Division para os New Order), mas também uma versão em CD, um CD extra de raridades (com versões alternativas, gravações de ensaios e maquetes) e um DVD com concertos registados em Nova Iorque – no Hurrah, em 1980 e no Peppermint Lounge, em 1981 – e passagens pelos estúdios de TV da Granada Television, onde trabalhava Tony Wilson, e da BBC, tudo datado do período 81-82.

James Nice, nas profusas notas de capa de “Zero: A Martin Hannett Story” (compilação de 2006 carimbada pela Ace Records), escreveu sobre o envolvimento do produtor na estreia do reinventado quarteto: “Hannett produziu ‘Movement’, a estreia muitas vezes criticada dos New Order, de 1981, juntamente com os gloriosos singles não incluídos em álbuns ‘Procession’ e ‘Everything’s Gone Green’ – o último a marcar a sua primeira incursão real nos terrenos do electro-disco. Tomadas como um todo”, escreve Nice, “estas sessões geraram material excelente e ‘Everything’s Gone Green’ apontou o caminho para a frente, mas o estilo de Hannett roubou, de facto, o brilho a algumas das canções, particularmente a ‘Chosen Time’ e ‘Senses’. Além disso, os New Order começavam rapidamente a perder a paciência com a crónica predileção de Hannett pela repetição de takes e pelas drogas pesadas. Por causa disso, a banda e o produtor acabaram por seguir caminhos separados, com os New Order a gravarem o seu single seguinte, ‘Temptation’ (editado em maio de 1982) sem a ajuda de um produtor. De certa maneira, pode ver-se essa experiência como um falso arranque, já que lhe faltava a dureza tecno de ‘Everything’s Gone Green’ que só voltaria a encontrar-se com ‘Blue Monday’”.

"É PRECISO ECSTASY PARA METER UM HOMEM BRANCO A DANÇAR"

A dureza a que Nice se refere traduzia, de facto, o primeiro momento de uma visão que carregaria os New Order para o futuro. Temas dos Joy Division como ‘Love Will Tear Us Apart’, com o seu uso do som de cordas do Arp Omni, já se envolviam com uma certa névoa eletrónica que espelhava a revolução movida a sintetizadores que começava a tomar conta da pop britânica no período que se seguiu ao punk. De certa forma, os primeiros singles gravados pelos New Order traduziram o proverbial passo atrás antes dos dois decididamente dados em frente. E isso aconteceria, precisamente, com ‘Everything’s Gone Green’, tema que Tony Wilson descreveria como “a canção mais importante do mundo moderno, a primeira vez que alguém usou computadores – computadores primitivos da Apple ligados com ferros de soldar e cabos a saírem deles – a sintetizadores dos anos 1970”. A frase, citada por John Lewis num artigo dedicado aos New Order num número especial da revista Uncut dedicado à pop eletrónica, traduz certamente o exagero natural de quem não possuía profundos conhecimentos técnicos, como era nitidamente o caso do patrão da Factory, mas também evidencia o espírito exploratório que o grupo adotaria depois da reinvenção.

Como os Heróis do Mar, certamente conscientes dos primeiros passos dos New Order, viriam a reclamar em Portugal, também em Manchester o quarteto de Peter Hook, Gillian Gilbert, Stephen Morris e Bernard Sumner parecia ter uma vida dupla manifestada em diferentes abordagens aos singles e aos álbuns, com a mentalidade indie a ditar que o material incluído nos maxis não viesse a figurar depois nos registos de longa duração para “não defraudar os fãs”. E, como escreve John Lewis em “Electronic Pop”, se os New Order de 45 rotações por minuto mostravam ser uma banda synth pop de laivos punk que pintava em cores fortes, os New Order de 33 rotações continuavam a ser, lá no fundo, uma introspetiva banda pós-punk cujo synthpop era mostrado em esboços monocromáticos”.

Por esta altura, em 1980 e 1981, os New Order tocaram meia dúzia de vezes em Nova Iorque e deixaram-se enredar pelo vibrante som de uma cidade que estava, muito ativamente, em pleno processo de inventar o futuro, tanto com o que se passava nas margens (em bairros como o Bronx), como com o que acontecia no centro (em clubes como o Paradise Garage, de Larry Levan), onde o grupo, aliás, haveria de tocar em 1983, na sua terceira incursão pelo país. Em entrevista a Simon Reynolds incluída em “Totally Wired: Post-Punk Interviews and Overviews”, Stephen Morris confirmava o seu fascínio pela música de dança que se escutava nos clubes da Grande Maçã: “sim, tinha uma boa batida. E via-se as pessoas a dançar. Mas é preciso ecstasy para meter um homem branco a dançar. E contemporâneo dessa cena era o Grandmaster Flash e a Sugarhill e toda aquela cena inicial do hip hop. E isso era outra coisa que eu gostava de fazer – comprar tudo o que saía na Sugarhill”.

Morris explica também como tudo isso desembocou no seu fascínio por caixas de ritmos: “uma das coisas naquela época que me convenceu de que as máquinas iriam ser o futuro foi ver o Stevie Wonder no ‘The Old Grey Whistle Test’”, revelava o baterista referindo-se ao mítico programa de televisão da BBC que esteve no ar entre 1971 e 1988. “Foi no arranque dos anos 80, e ele tinha a primeira caixa de ritmos da Linn, a Linn Drum, e era incrível, com uma batida bem funky, e eu pensei ‘quero sons assim, vou comprar uma’. Mas elas custavam o mesmo que uma casa naquele tempo, por isso acabei por me quedar por uma pequena caixa da Roland. Tentávamos fazer coisas com um pequeno orçamento porque não tínhamos dinheiro nenhum. De maneira nenhuma conseguiríamos comprar a Linn. Depois conhecemos um tipo, amigo do Martin, e que também se chamava Martin, e ele ajudou-nos. Ele e o Bernard construíram um pequeno sequenciador”. Essa primitiva caixa da Roland escuta-se, por exemplo, no belíssimo ‘Truth’, segunda faixa de “Movement”, que soa como se tivesse gravada na estação orbital, em ambiente de gravidade zero, com todos os elementos do grupo a flutuarem.

DE 1981 A 2019

No livro com o tamanho de um LP que acompanha a reedição de luxo do álbum de estreia dos New Order inclui-se profuso material fotográfico inédito que documenta não apenas a banda em palco e na sala de ensaios, mas também instrumentos como essas primitivas caixas de ritmos a que Stephen se refere, faturas de aquisição de material (mil libras por uma coluna de baixo Marshall para Peter Hook, por exemplo), flyers e cartazes de concertos, ou bobinas com masters num registo quase museológico que confere ao álbum a digna posição de marco numa das mais importantes carreiras no universo da pop britânica. “Quando saiu”, escreve John McCready nas notas do referido tomo, “‘Movement’ poderia, de certa maneira, ter agradado a Ian. Continuava na essência a ser um disco dos Joy Division, mas com a grande ausência do seu sentido melódico, do seu papel como editor. Tem um lugar na história mas apenas como um navio camuflado. À sua volta, nos singles lançados no mesmo período, como ‘Everything’s Gone Green’ e ‘Temptation’, sente-se a absorção de novas influências de dança e o peso da nova tecnologia mais acessível que estava prestes a fazer da música de dança eletrónica uma força revolucionária. Os prescientes conseguiam perceber o real sentido de escolher New Order como o nome pós-Ian, pós-Joy Division”.

Bernard Sumner e Stephen Morris

Bernard Sumner e Stephen Morris

Caixa "Movement"

Portanto, depois da morte de Ian Curtis, o trio remanescente foi a Nova Iorque cumprir contrato e, pela primeira vez, encontrou um mundo diferente. Foi aí que gravou a primeira versão de ‘Ceremony�� que seria lançada em janeiro de 1981. De volta a Manchester, recrutou Gillian, assumiu a identidade New Order – nome que lhe valeu, aliás algumas críticas, embora o grupo sempre tenha feito questão de afastar quaisquer inclinações de extrema direita, ideia aliás confirmada pelo fascínio que sentia pela música negra – e regravou o mesmo tema ‘Ceremony’ já com a teclista a compor o quarteto clássico. Essa segunda versão seria editada em setembro de 1981, o mesmo mês em que lançaria também o sete polegadas de ‘Procession’, já com uma primeira versão de ‘Everything’s Gone Green’ no lado B.

“Movement” chegaria depois às lojas em novembro, e o maxi de ‘Everything’s Gone Green’ em dezembro, rematando um ano extraordinário que serviu para sacudir o fantasma do malogrado poeta-cantor e apontar o caminho para o futuro. ‘Temptation’ chegaria praticamente dois anos depois da morte de Ian e seria a consolidação final de uma nova visão para o grupo cujo single seguinte, ‘Blue Monday’, se tornaria o mais bem sucedido maxi de 12 polegadas de sempre. Mas essa é outra história.

No presente, os New Order souberam resolver as velhas disputas legais com o baixista Peter Hook (que se mantém de fora da banda, também interpretando repertório de Joy Division e New Order, como aconteceu em recentes concertos entre nós) e este ano trarão novidades a Paredes de Coura. A tensão que marcou o quarteto no arranque dos anos 80, que derivava da forte marca deixada por Ian Curtis, mas também da vontade de explorar novas ideias captadas em Nova Iorque, nas pistas de dança e na música negra, continua, afinal, presente até aos dias de hoje, forçando um movimento perpétuo entre dois polos. É assim, afinal de contas, que se gera energia. E que se erguem obras marcantes e icónicas.

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