www.jornaldenegocios.ptMiguel Teixeira - 15 ago 17:57

Empresas podem fazer mais pela imigração

Empresas podem fazer mais pela imigração

Os últimos dados do Eurostat indicam que Portugal voltou a perder população em 2018, mantendo a tendência dos últimos 10 anos, o que quer dizer que nem a imigração resolve o balanço entre o número de mortes e nascimentos.

Algo que só é comum a outros dez países europeus, apesar de o último ano ter sido marcado por um aumento do número de nascimentos em Portugal. A este ritmo, e de acordo com as projeções do Instituto Nacional de Estatística, Portugal vai perder três milhões de habitantes no espaço de 60 anos.

É certo que as políticas de promoção da natalidade são uma parte da solução, mas a verdade é que o resultado desse trabalho só é visível a décadas de distancia e não resolvem o grande problema com que somos confrontados no dia a dia: a incapacidade de encontrar o talento necessário para preencher as vagas de emprego existentes e fazer evoluir os negócios à medida que as oportunidades surgem. Apesar de esta equação ser fácil de compreender e de a atualidade demonstrar que é fácil de resolver - a população europeia cresceu muito graças à imigração existente - a verdade é que esta é uma circunstância pouco falada em Portugal. Apesar disso, começam a surgir vozes que contrariam esta sensação. A Bloomberg afirmou recentemente "Portugal precisa de imigrantes" e, em junho, o Banco de Portugal já acrescentava "particularmente aqueles com qualificações mais elevadas".

É certo que já existem incentivos para dar resposta a esta necessidade, como a campanha que o Governo tem em curso para incentivar o regresso a Portugal de emigrantes, ou o Tech Visa, que favorecia a contratação de trabalhadores estrangeiros altamente qualificados nas áreas tecnológicas e foi recentemente alargado a todos os setores de atividade, mas os números demonstram que as iniciativas existentes não são ainda suficientes para dar resposta às necessidades.

Do meu ponto de vista, as empresas podem fazer mais para favorecer a imigração, nomeadamente de talento qualificado proveniente de geografias menos comuns, pois já estamos a conseguir fazê-lo em países que partilham connosco a língua ou a cultura europeia. Para isso, os fatores de atração não podem passar apenas por argumentos de retribuição. Têm de valer-se da qualidade de vida do país, da estabilidade e da cultura de tolerância que nos caracteriza, mas também das oportunidades que o país encerra, nomeadamente, por ser um "early adopter" em termos de novas tecnologias e ter uma população com facilidade para falar várias línguas, o que facilita claramente a adaptação de estrangeiros. Se a tudo isto juntarmos formação e condições favoráveis para a fixação das famílias, criaremos as condições ideais para a formação de um ecossistema de talento multicultural, capaz de se renovar por si. Afinal, talento puxa talento. Como nenhuma organização consegue fazer tudo isto sozinha, a coordenação de esforços tem de ser a "palavra de ordem". Se for preciso dar um primeiro passo, a empresa que lidero está totalmente disponível para iniciar esta discussão.

CEO everis Portugal

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