blitz.ptblitz.pt - 15 ago 09:20

A terrível vida de um músico de metal no Irão

A terrível vida de um músico de metal no Irão

Ser músico no Irão não é fácil, ser membro de uma banda de metal é uma provação

Prisão, multas e até penas de morte: não é nada fácil ser-se músico no Irão, sob o jugo do ayatollah Ali Khamenei. A revolução islâmica de 1979, que instaurou uma teocracia naquele país, proibiu a música pop durante duas décadas - e qualquer artista, naquele país, tem de ser aprovado pelo regime.

Do caso dos artistas de heavy metal, a perspetiva só piora. A revista Metal Hammer falou com alguns dos músicos que insistem em não deixar que esta forma de arte desapareça do Irão.

Nikan Khosravi, vocalista e guitarrista dos Confess, é um deles. "Estava a dormir quando [as autoridades] me entraram em casa", contou. "Fizeram buscas, confiscaram-me os pertences e fui levado para uma prisão de alta segurança, interrogado e mantido em regime de isolamento".

A história de Khosravi é uma das muitas que se contam na comunidade heavy metal iraniana: entre os seus alegados "crimes" estão a posse de filmes e livros "proibidos", e a criação de música considerada "blasfema".

O jornalista Jasmin Ramsey, que representa o Centro pelo Direitos Humanos no Irão, uma organização nova-iorquina, explicou que o problema não são as pessoas, "ocidentalizadas", mas o regime em si.

"Qualquer forma de arte tem de ter a autorização do Ministério da Cultura e Orientação Islâmica. O heavy metal seria considerado ilegal, anti-islâmico e satânico. Mas, apesar da censura, há música de todos os géneros a despontar".

Para muitos, a única solução é emigrar, como aconteceu com os Trivax, banda de black metal hoje sediada em Inglaterra. O seu vocalista, Shayan, não pode regressar ao seu país de origem após ter grafitado o logótipo dos suecos Watain em Teerão, e após ter lançado uma canção considerada blasfema.

"Estou orgulhoso por lhes ter mostrado o dedo do meio ao sair [do país]", explica, ainda que alimente a esperança de que tudo mude no futuro: "Espero que a lei islâmica seja removida à força e que a religião se separe da política".

Os Internal Chaos, banda que ainda se encontra no Irão, não tiveram a mesma "sorte" de poder escapar ao regime. "Iríamos sentir saudades do nosso país, por todas as memórias que aqui criámos", conta o vocalista, Alireza Shafiee. "Às vezes precisas de te mudar para seguir os teus sonhos, mas não sabes como será viver numa cultura inteiramente nova".

Alireza lamenta, ainda, a ideia que o mundo ocidental tem do Irão. "Pensam que vivemos em tendas no deserto, com os nossos camelos. É pena. A primeira coisa que nos dizem é que não imaginavam que existissem bandas no Irão".

Ramsey guarda, também, esperança no futuro, e o heavy metal "é prova disso". "Nem todos querem censurar a arte; há quem tenha ideais progressistas e queira que as pessoas sejam livres". O Irão é, garante, "uma sociedade dinâmica".

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