blitz.ptblitz.pt - 15 ago 20:58

A nave espacial dos Khruangbin deu uma volta ao mundo em Paredes de Coura

A nave espacial dos Khruangbin deu uma volta ao mundo em Paredes de Coura

A banda de nome mais impronunciável do cartaz surpreendeu (e deixou-se surpreender) ao fim da tarde. "Este é um dos festivais mais bonitos onde já estivemos. Cheira tão bem!"

Ao descer a ladeira, nos primeiros segundos do concerto dos Khruangbin, reparamos que o rapaz que segue �� nossa frente enverga uma t-shirt dos Pink Floyd. E, ainda que o trio de Houston, no Texas, não seja, de todo, um sucedâneo dos britânicos, há uma certa corrente de psicadelismo a tingir as margens do Taboão, nestes dias que correm suaves em Paredes de Coura. Esta noite, depois dos aguardadíssimos New Order, teremos os Capitão Fausto a peneirar as várias pérolas do seu mais recente disco, "A Invenção do Dia Claro". Amanhã, em mais uma estreia nacional proporcionada por este festival, Jonathan Wilson (fã dos Khruangbin) virá mostrar as suas canções tecnhicolour. E hoje, naquele horário nobre que é, em Coura, o final da tarde, Mark Speer, Laura Lee e Donald Johnson inscreveram a sua versão de música para viajar sem sair do lugar num anfiteatro natural já bastante povoado.

Resistindo firmemente a catalogações simplistas, a música - quase sempre instrumental - dos Khruangbin dança em volta do rock psicadélico, dos blues, do dub e da world music, com muitos dos seus temas, longos, caprichados e dados ao improviso, a roçarem na tradição dos continentes americano, africano e asiático.

Afinal, diz-se que todas as músicas do mundo têm uma raiz, ou espírito, comum, e não é difícil acreditar nessa teoria ao ver a forma, aparentemente fácil mas altamente virtuosa, como o trio (com destaque para o guitar hero Mark Speer) cozinha todos estes temperos do mundo num caldeirão extremamente cool e mesmo sensual.

Num daqueles momentos que dão boa fama a Paredes de Coura, o auditório - em pé lá à frente, sentado ou até deitado cá atrás - fechou os olhos e deixou-se levar nesta aeronave (Khruangbin significa isso mesmo, em tailandês). Meneando a cabeça em sinal de prazer e aprovação, os festivaleiros entraram, com educação, na narrativa dos norte-americanos, onde a guitarra de Speer serve de narradora principal e o baixo de Lee e a bateria de Johnson são personagens aparentemente mais discretas, mas igualmente centrais.

"Este é um dos festivais mais bonitos em que já tocámos", diz a certa altura Mr. Speer, homem de poucas palavras e grande mestria na guitarra. "Cheira tão bem e vocês são todos lindos". Mesmo que o diga a todos (os públicos da sua digressão), o piropo caiu bem e, a par de uma breve citação de 'Misirlou' (Dick Dale via Pulp Fiction), ajudou a tornar ainda mais prazerosa a viagem partilhada dos Khruangbin em Paredes de Coura.

Com disco novo prometido para este ano, os texanos chamaram ao álbum que lhes trouxe notoriedade "Con Todo El Mundo" (expressão pedida emprestada à avó mexicana da baixista), e talvez seja essa a melhor sinopse para uma música com via verde em todos os cantinhos do planeta.

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