blitz.ptblitz.pt - 15 ago 21:27

Coquete e adorável, Stella Donnelly trouxe uma mensagem importante a Paredes de Coura: os homens não são todos iguais

Coquete e adorável, Stella Donnelly trouxe uma mensagem importante a Paredes de Coura: os homens não são todos iguais

Mais uma bela artista da recente fornada musical a sair da Austrália, a autora de 'Boys Will Be Boys' deu um concerto simultaneamente divertido e incisivo no palco Vodafone FM

Nascida no país de Gales há 27 anos, mas criada na Austrália, Stella Donnelly é uma personagem cativante. Ora sozinha em palco, com a sua guitarra elétrica e com a sua raiva ("juro que não estou sempre sozinha, é só nesta parte do concerto"), ou acompanhada por um quarteto onde dois dos músicos (a baixista e a baterista) são mulheres, a cantora-compositora é alegre, espirituosa e genuinamente divertida.

Antes de cantar 'Mosquito', por exemplo, apresentou a canção do seu álbum de estreia, lançado este ano, contando que a mesma passou "por acidente" na rádio australiana. "A minha mãe mandou-me uma mensagem a dizer que estava muito orgulhosa de mim", recorda, partilhando porém que a passagem da letra sobre o uso de um vibrador a teria embaraçado. "E depois contei-lhe que nas entrevistas tenho dito que o vibrador foi uma herança de família", completa, rindo à gargalhada.

Dona de uma voz e de uma figura mui juvenis, Stella Donnelly começou a dar que falar quando, dias antes de o escândalo de Harvey Weinstein rebentar, partilhou a canção 'Boys Will Be Boys', inspirada numa sua amiga que, depois de ser vítima de violência sexual, teve de lidar com as críticas de quem insinuava que a culpa poderia ter sido sua. "Não tem nada a ver com a forma como nos vestimos ou comportamos", alertou a australiana, explicando que o título da canção serve para lembrar que não, nem todos os homens são assim, e que desculpabilizar um comportamento criminoso com generalizações do género não fará nada de bom pelo sexo dito forte.

Se o público do Vodafone FM já estava do lado de Stella Donnelly, graças à doçura twee/indie/jangle pop de 'Old Man', 'Watching Telly', 'Season's Greetings' ou 'Die', uma canção com direito a coreografia e tudo, depois do discurso em jeito de #MeToo os ânimos ficaram ainda mais incensados.

Se ontem tivemos Julia Jacklin a cantar que educou o seu corpo para ser dono de si mesmo, hoje a sua compatriota empacotou mais uma mão cheia de recados e observações bem prementes em canções cantaroláveis, soalheiras e viciantes. 'Tricks', mesmo no finzinho, deu a estocada final numa mensagem que, tomada com açúcar, talvez custe menos a engolir. "You only like me when I do my tricks for you/And you wear me out like you wear that southern cross tattoo/You said I'd look much better if I dropped the attitude/Leave it alone".

Feliz com o carinho com que foi recebida, Stella Donnelly, um acrescento de última hora ao cartaz de Paredes de Coura, para substituir Julien Baker, confessou: "não fazia ideia se ia estar aqui alguém a ver-me". E até quando voltou ao palco para, na ausência de roadies, recolher o próprio material, recebeu uma calorosa e merecida ovação.

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