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O vento moldou, e ainda molda, Vila do Conde. Que o leva ao palco

O vento moldou, e ainda molda, Vila do Conde. Que o leva ao palco

O espectáculo de teatro musical Um Porto Para o Mundo, que tem lugar no Cais da Alfândega, em Vila do Conde, de 16 a 21 de Agosto, reúne mais de 400 actores, que participam de forma voluntária no projecto este ano dedicado ao vento norte.

Quem, no Norte, nunca ouviu falar da nortada, não é do Norte, como diria uma certa personagem saída de uma série de Herman José. O vento boreal faz parte da identidade das comunidades litorâneas, e a edição deste ano do teatro de rua Vila do Conde, Um Porto Para o Mundo inspira-se nessa força natural que ameniza, e às vezes estraga, o Verão de muito banhista, para as estórias, sempre ligadas à história da cidade, que a partir desta sexta-feira se desenrolam no palco montado no cais da Alfândega, em frente à Nau Quinhentista, na marginal ribeirinha.

Como em anos anteriores, contar a história de Vila do Conde e de Portugal, a partir da ligação da cidade, e do seu porto de rio, à arte da construção naval em madeira é o mote para a quinta edição da iniciativa Um Porto Para o Mundo, um teatro musical de rua que decorre até 21 de Agosto e que, nesta quarta-feira já tinha os bilhetes para os primeiros dois dias de espectáculo esgotados.

PÚBLICO - Foto O vento é o fio de ligação entre as cenas Nelson Garrido

O espectáculo de rua, que é diferente todos os anos, quer pela nova dramaturgia, quer pela banda sonora e cenografia, tem como título, este ano, Vento Forte, Vento Norte e, segundo o encenador, em palco tenta-se mostrar “a ligação de muitos factos históricos que aconteceram com a força física dos ventos”.  A iniciativa reúne mais de 400 actores, dos 2 aos 90 anos, num espectáculo em que “o vento é o fio de ligação entre as cenas”. Amauri Alves revelou ainda que será recriado “o bota-abaixo do último barco de madeira construído neste mesmo local e a viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães”. Além disso, estará em destaque “o papel que a mulher de Vila do Conde teve no desenvolvimento económico e na história da cidade”, disse o criador e encenador do espectáculo.

No início da semana, num ensaio aberto à imprensa, ainda existiam “alguns ajustes a fazer”, mas Amauri Alves considerava já que, “este ano, as pessoas estão ainda mais motivadas depois de um processo de preparação que tem sido feito há meses”. “Estou muito satisfeito com o resultado”, partilhou o responsável.

Johann Knorr, de 21 anos, participa neste espectáculo há três anos e olha para o enorme elenco, totalmente amador, como uma “grande família”. “Nós fazemos muitas amizades aqui. Toda a gente se conhece, toda a gente se dá bem”, declarou o vilacondense, que faz questão de participar todos os anos com a família e amigos. Também Maria Silva, de 65 anos, natural de Vila do Conde, partilha da mesma opinião: “é um convívio muito bom, que me transmite muita alegria e confiança”.

PÚBLICO - Foto Todos os actores participam de forma voluntária no espectáculo Nelson Garrido

O evento, que se revela uma oportunidade para unir várias gerações de vilacondenses num convívio que tem criado laços de amizades, é também, para Isabel Maia, coreógrafa do espectáculo, “uma verdadeira lição de história”. Apesar de ser “um grande desafio” em termos de coreografia, é uma forma de “convívio e troca de ideias”, observou a dançarina. Num espectáculo em que todos os actores participam de forma voluntária e em que tudo se prepara “de forma meticulosa”, Flávio Medeiros, director musical, crê que tudo é possível “com carinho”, estando a preparar um espectáculo ecléctico em termos musicais, mas com uma essência portuguesa.

“Apaixonado pelo vento” - o que explica o tema do espectáculo - o encenador contou, por sua vez, que o que tem mudado ao longo do tempo é a maior adesão das pessoas: “Há um interesse cada vez maior por parte da população em ver o espectáculo”. Quem também concorda com Amauri Alves é a presidente da Câmara de Vila do Conde, Elisa Ferraz, que se mostrou “emocionada” perante a presença de “tanta gente nos ensaios”.

Um Porto Para o Mundo, uma co-produção da autarquia com a Companhia Lafontana – Formas Animadas, insere-se num projecto concebido pela Câmara de Vila do Conde que tem em vista a protecção das técnicas de construção e reparação naval de madeira e a eventual classificação desta arte como Património Imaterial da Unesco.

As exibições de Um Porto Para o Mundo têm uma capacidade para cerca de 1300 espectadores por sessão, sendo necessário adquirir um bilhete que tem um custo de cinco euros para adultos e de um euro para criança. Segundo o gabinete de imprensa da Câmara de Vila do Conde, os bilhetes estão esgotados para os primeiros dois dias e já não restam muitos para os restantes.

Texto editado por Abel Coentrão

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