www.dinheirovivo.ptAntónio Duarte Pinho - 13 ago 15:50

Portugueses jogaram mais de 9,5 mil milhões de euros em 2018

Portugueses jogaram mais de 9,5 mil milhões de euros em 2018

Durante o ano de 2018 os portugueses terão jogado cerca de 9,3 mil milhões de Euros nos diversos tipos de jogos “oficiais” a que têm acesso

Em termos de vendas, o 1.º lugar continua a pertencer aos casinos, que tiveram uma receita bruta (vendas brutas de jogo – prémios pagos) de 322 milhões de euros, o que terá sido o resultado de um nível de apostas brutas de cerca de 3,2 mil milhões. Note-se que, em média, os casinos devolvem aos apostadores cerca de 90% das vendas de jogo neles efetuadas.

Seguiram-se os Jogos Sociais da Santa Casa que faturaram um valor próximo dos 3,1 mil milhões de euros, gerando uma receita bruta de cerca de 1,1 mil milhões. Nestes jogos, em média, cerca de 61% das vendas são canalizadas para os prémios de jogos.

O chamado jogo “online”, que tem mais de um milhão de portugueses registados, teve, de acordo com o Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos, um nível de vendas brutas da ordem dos 2,4 mil milhões, que terão originado receitas brutas de 152 milhões de euros, o que significa que cerca de 94% das vendas foram devolvidas aos apostadores na forma de prémios.

Note-se que estes jogos “online”, pela dimensão que têm estado a ganhar, pelas dificuldades de controlo efetivo por parte das autoridades, dado proliferar o jogo ilegal, e pelos parcos réditos relativos que deixam nos cofres públicos, bem justificariam a proibição, pura e simples, da sua publicidade/promoção na comunicação social portuguesa, que está a tingir níveis inaceitáveis, com os impactos sociais negativos associados.

Os bingos registaram uma receita bruta de cerca de 55 milhões de euros que se admite terão resultado de vendas totais de jogo da ordem dos 550 milhões de euros.

Finalmente, admite-se que o conjunto muito alargado de jogo ilegal, mais notório nos jogos online, mas existente a vários níveis e em várias modalidades de jogo e de concursos, poderá ter atingido cerca de 200 milhões de euros, gerando uma receita bruta de 12 a 20 milhões de euros.

Assim, o conjunto destas atividades de jogo totalizam vendas totais superiores a 9,5 mil milhões, gerando cerca de 1,7 mil milhões de receita bruta.

Os Jogos da Santa Casa representaram apenas 33% das vendas globais de jogo, mas, a nível da receita bruta retida, onde existem grandes diferenças de tratamento de jogo para jogo mas sobre a qual se calculam os principais contributos de natureza fiscal, representaram cerca de 65% em 2018.

Os atuais níveis de jogo, que representam um salto muito forte face aos prevalecentes nos inícios deste século, vêm colocando Portugal num lugar cimeiro a nível mundial em matéria de jogo.

Esse salto foi relativamente brusco e surgiu nos últimos 18 anos, na sequência de diversas medidas que foram sendo tomadas no mercado dos jogos, nomeadamente a “atrasada” modernização/informatização dos Jogos da Santa Casa e do posterior lançamento dos novos jogos como o “Euromilhões” (745 milhões de euros em 2017) e o “Placard” (502 milhões de euros), bem como da projeção das Raspadinhas para uns impressionantes 51% das vendas dos Jogos da Santa Casa (1,6 mil milhões de euro), que se comparam com os diminutos 4% registados em 2008 e 2009, mas também da autorização e profusão do jogo online, com a utilização de jogos desportivos e jogos de casino, nomeadamente.

Mau grado esse lugar de destaque a nível internacional, a comparação com a realidade do jogo em Macau, um caso à parte a nível mundial nesta matéria, acaba por relativizar esse posicionamento.

De facto, num território com 660 mil habitantes, mas com 35 milhões de visitantes atraídos em grande medida pelo jogo, o valor bruto das apostas aí realizadas terá atingido, em 2018, cerca de 330 mil milhões de euros (35 vezes o verificado em Portugal), muito acima do nosso PIB, tendo originado receitas brutas de cerca de 33 mil milhões de euros, ou seja, cerca de 20 vezes as que foram registadas no nosso país em todos os jogos…

Se nos cingirmos aos chamados Jogos Sociais do Estado, que em Portugal correspondem basicamente aos Jogos da Santa Casa, e considerando o valor bruto de apostas “per capita”, Portugal passou do 17.º lugar em finais do século passado, para o 2.º lugar em 2017, com cerca de 287 euros por cada português, num total de 890 euros apostados no conjunto dos jogos que estiveram ao seu dispor.

António Duarte Pinho, economista, ex-inspetor-geral dos Jogos de Macau, ex- administrador delegado dos Jogos da Santa Casa, co-autor do livro “ O Jogo em Macau” – Edição de 1987 da Inspeção de Jogos de Macau e autor do livro “Os Jogos da Santa Casa e o mercado do jogo em Portugal” (em vias de edição)

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