www.jornaldenegocios.ptEdson Athayde - 13 ago 19:15

Quem vai ao vento perde o assento

Quem vai ao vento perde o assento

O certo é que algumas das maiores oportunidades que tive aconteceram justamente por eu estar a trabalhar quando quase todos estavam a banhos.

Se tirar todo o equivocado glamour relacionado à atividade publicitária, área na qual labuto, o que resta é que sou um mero prestador de serviços. Há muito pouco de diferente entre um restaurante e uma agência de publicidade. Nunca sabemos que cliente poderá entrar pela porta, mas sabemos que se a porta estiver fechada ou o cozinheiro na praia a faturação será negativa.

De um jeito ou de outro sempre gozei os meus dias de férias devidos. Apenas usei-os estrategicamente, em benefício do desenvolvimento da minha carreira. Parece uma receita simples, mas o curioso é que em quase quarenta anos de lida, em três países, foram raras as pessoas que cruzei com atitudes parecidas. Às vezes, o óbvio é poderosíssimo.

Não confunda estar disponível quando há poucos a trabalhar com estar no trabalho a fingir que faz alguma coisa. Não há nada pior do que tentar enganar aos outros ou a si próprio. Estamos a falar de transformar produtividade numa ferramenta de ascensão profissional e não em como ludibriar o calendário.

O tema surgiu-me devido à época, claro. Mas também porque nunca vejo esse tipo de discussão. É como se as férias fossem obrigatórias de se tirar sempre nos mesmos meses do ano. E como se o mundo parasse quando vamos ao vento. Pois não pára. E se parou um dia, hoje não pára mais. Pense nisso não só para garantir o assento, mas para talvez o trocar por outro mais acima.

Ou como diria o meu Tio Olavo, a citar a cronista Marta Medeiros: "Estou a sair de férias. Volto assim que me encontrar." 

Publicitário e Storyteller
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