www.dinheirovivo.ptPatrick Lor - 13 ago 19:20

Para onde nos está levar a evolução tecnológica?

Para onde nos está levar a evolução tecnológica?

A maioria das pessoas concorda que a singularidade está a chegar – a questão é saber quando.

Vivemos tempos interessantes, em que a mudança é constante e rápida. Ray Kurweil e Peter Diamandis falam sobre a singularidade – o ponto futuro no tempo em que o crescimento tecnológico se torna incontrolável e irreversível, resultando em mudanças profundas para a civilização humana. Até lá, continuaremos a experimentar um crescimento exponencial da tecnologia, com capacidade de duplicar a cada 18 meses, que nos é entregue numa fração do tamanho e do custo.

Como investidores, estamos constantemente à procura de fundadores visionários – empreendedores que entendam tendências e prevejam o futuro. Além de esta tarefa ser já de ela própria quase impossível, o que a torna ainda mais difícil é a velocidade a que mudança tecnológica está a acontecer. Por exemplo, foram necessários mais de 100 anos para alcançar a adoção em massa de telefones fixos, e apenas uma fração disso para o mesmo acontecer com os telemóveis.

As empresas já não podem dar-se ao luxo de esperar 10 anos para ver como o mercado ou a tecnologia se desenvolvem. Nesse período de tempo, a última geração de tecnologia já será irrelevante. Por exemplo, a Global Crossing gastou biliões de dólares a colocar fibra de internet e, eventualmente, faliu. Agora, menos de 20 anos depois, empresas como o Facebook e o Google irão lançar satélites micro-wi-fi para permitir cobertura de internet em todo o mundo. Naquela época, além de desenvolver uma tecnologia sem fios muito melhor, descobrimos como lançar “cubesats” (mini-satélites utilizados no setor espacial) por 3000 em vez de 300 milhões de dólares, e percebemos como uma rede de “cubesats” pode ser centenas de vezes melhor do que apenas um satélite tradicional.

O que isto significa para os empreendedores é que, ou se é o disruptor, ou se é o afetado. E é por esta razão que as empresas em todo o mundo estão interessadas em contratar empreendedores com espírito crítico para as suas organizações.

Esta onda tecnológica permitiu ainda que as startups de tecnologia atingissem novos patamares em tempo recorde. Toda a infraestrutura necessária para criar startups de software foi tornada num produto e em commodity, fazendo com que as ferramentas estejam melhores do que nunca e disponíveis por uma fração do valor que custavam anteriormente.

A Amazon Web Services é o melhor exemplo, contudo, se aprofundarmos mais o tema, percebemos que a média são as startups que usam entre 30 a 50 produtos SaaS (software as a service) para operacionalizar os seus produtos e negócios. Estas estão focadas na criação do código principal e usam serviços como Twilio, Mailchimp, Dropbox, Shopify, Zendesk e Intercom para aumentar os seus recursos não principais. Ou seja, isto significa que podem construir um negócio completo em muito menos tempo do que os players já estabelecidos .

Isto significa que as organizações estão a enfrentar uma enorme onda de rutura, não apenas dos empreendedores emergentes, como também das alterações regulamentares. Por exemplo, no mundo financeiro, os governos estão a implementar a nível mundial a legislação de “open banking” para que os bancos se possam transformar em “bancos challenger”, unicamente digitais e com cartões de crédito e serviços, mas sem precisarem de um balcão físico.

Assim, quase todas as empresas da Fortune 1000 (e algumas além destas) criaram departamentos de inovação empresarial, na esperança de conseguirem ter um pensamento disruptivo, antes que outros o façam. As empresas estão a contratar empreendedores, pessoas com mentalidade empreendedora e adquirindo startups para repensar as suas culturas corporativas. Programas como o European Innovation Academy, as universidades e o ecossistema de startups, desempenham um grande papel para ajudar nessa transição.

Posto isto, qual é o resultado para os aspirantes a empreendedores de hoje? Além de serem grandes líderes, criativos e solucionadores de problemas, têm de ser futuristas. Isto porque a mudança tecnológica da qual Kurzweil e Diamandis falam irá ser transversal a todas as partes das nossas vidas. Agora, mais do que nunca, precisamos de olhar para os sonhadores, em vez de para as organizações, para nos dizerem qual será o futuro dos negócios.

Patrick Lor é mentor da European Innovation Academy e managing partner da Panache Ventures

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