expresso.ptexpresso.pt - 14 jul 10:31

Algarve à espera de reservas de última hora para ‘salvar’ o verão

Algarve à espera de reservas de última hora para ‘salvar’ o verão

Hotéis e operadores já estão a baixar os preços para julho e agosto para compensar procura abaixo de 2018

O verão começou este ano mais arrefecido no Algarve, e as reservas dos turistas tardam em chegar aos hotéis. Operadores turísticos, companhias aéreas e unidades hoteleiras já estão a avançar com campanhas de baixa de preços, esperando que as reservas de última hora com estas promoções ajudem a que a estação alta se aproxime dos níveis de 2018. “As reservas para o verão estão abaixo do ano passado, devido sobretudo ao facto de haver menos procura de turistas franceses, alemães, holandeses e irlandeses”, adianta João Fernandes, presidente da Região de Turismo do Algarve (RTA), frisando que a situação é comum aos destinos concorrentes, como o sul de Espanha, Canárias ou Baleares, sendo a exceção os destinos em ressurgimento, como a Turquia ou o Egito, “e também a Grécia, que está com uma política de preços mais agressiva”.

Segundo o responsável, o menor nível de reservas está a levar operadores turísticos, companhias aéreas e hotéis a fazerem “ajustamentos, baixando os preços de voos e pacotes para o Algarve, com campanhas promocionais de last minute”. Estas ações “já estão a gerar um aumento de procura de última hora, e a expectativa é que até agosto as reservas last minute ajudem a atingir níveis próximos do ano passado. O que assistimos no Algarve é que a decisão da procura é cada vez mais à última hora”.

O tempo também não tem ajudado, e no início de julho, altura em que houve vagas de calor nos países emissores de turistas, os hotéis da região assistiram a vários cancelamentos. “Mas há agora perspetivas de tempo melhor, e o verão tem-se prolongado, permitindo alargar o período de maior procura a setembro, outubro e até novembro”, refere João Fernandes.

No primeiro semestre, os hotéis do Algarve registaram ocupações semelhantes às do ano passado, e segundo o INE houve um aumento de 10,3% de hóspedes até abril (já com a Páscoa) e um crescimento de proveitos de 11,3%. “No cômputo geral, estamos alinhados com o ano anterior, e até com aumento no volume de vendas”, nota o presidente da região de turismo, adiantando que nas reservas para o resto do ano, os mercados que dão sinais mais promissores são os portugueses, espanhóis e também os ingleses, apesar do ‘Brexit’.

Alemanha e Holanda são, nesta altura, mercados que se destacam com quebras no Algarve, o que reflete a situação económica dos países de origem. “Os alemães viajam cada vez mais dentro de portas, e tal como os holandeses, quando o PIB arrefece, começam logo a refrear os seus gastos”, constata o responsável da RTA.

Mais de metade dos hotéis esperam um verão igual

A nível nacional, 54% dos hotéis preveem um verão com ocupações idênticas às do ano passado, segundo um inquérito da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), com base nas reservas e pré-reservas já efetuadas. Mas no que toca a receitas, 63% esperam que os preços dos quartos vendidos “sejam melhores, ou muito melhores” do que no verão de 2018. A região centro é a que se perfila mais otimista, com 43% dos hotéis a preverem aumentos de ocupação. Entre as regiões que esperam melhores receitas, destacam-se os Açores (para 86% dos hoteleiros) ou o Alentejo (74%).

“O nível de otimismo está a abrandar, as taxas de ocupação já não crescem ao ritmo de anos anteriores, mas fixam-se em valores elevados, e para a hotelaria será um bom verão”, resume Cristina Siza Vieira, CEO da AHP.

Em Lisboa, “a expectativa é que o verão, e o ano em geral, seja de uma certa estagnação relativamente aos anos anteriores”. Vítor Costa, diretor-geral do Turismo de Lisboa, lembra ainda que “não era possível ter sempre crescimentos como nos últimos cinco anos”, e que o atual aeroporto tem limites.

“Até haver a solução do Montijo, não podemos esperar grandes aumentos turísticos em Lisboa”, salienta Vítor Costa, referindo que “não há nenhum boom nem nenhuma quebra, e no geral o turismo está a correr bem na capital”.

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