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Empresas de turismo oferecem salários mais altos para atrair trabalhadores

Empresas de turismo oferecem salários mais altos para atrair trabalhadores

As remunerações aumentaram 2,9% nos primeiros cinco meses deste ano. Hotelaria e restauração garantem que faltam 40 mil trabalhadores no turismo.

Os salários na hotelaria e restauração estão a aumentar, pressionados pela elevada procura de mão-de-obra e pela escassez de recursos humanos disponíveis devido ao boom do turismo. Nas contas de Ana Jacinto, secretária-geral da Associação de Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), faltam 40 mil profissionais, e de todas as áreas.

O forte dinamismo do mercado está a obrigar as entidades patronais a oferecer melhores condições salariais, reconhece Carolina Alberty, consultora da Hays Portugal. “As remunerações têm vindo a aumentar, de uma forma geral, na casa dos 15%”, garante. Vítor Antunes, diretor da Manpower, fala também em subidas de 10% a 15%. A Adecco, por seu lado, admite “uma ligeira subida nas remunerações, mas apenas na região do Algarve”.

Os dados estatísticos do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) mostram, na verdade, que os salários da hotelaria e restauração têm vindo a aumentar nos últimos anos, mas a um ritmo mais moderado do que dizem as empresas de recrutamento. Nos primeiros cinco meses deste ano, a remuneração média foi de 670 euros, uma subida homóloga de 2,9%. E, no ano passado, os mais de 328 mil trabalhadores do turismo receberam um salário médio de 654 euros, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, mais 22 euros (+3,5%) que em 2017. Desde a chegada da troika, em 2011, as remunerações subiram 67 euros (+11,4%).

O agravamento dos salários reflete a maior procura, sobretudo na hotelaria. As empresas têm necessidades de trabalhadores em basicamente todas as áreas. Mas, para este verão, o IEFP verificou que um maior dinamismo no alojamento, que representa agora 45% das ofertas de emprego. Ao Instituto chegaram apenas 8500 oferta de trabalho nos primeiros cinco meses deste ano, menos 100 que em 2018. Mas a empresa de recrutamento Manpower registou “um incremento de 20% no número de pedidos” das empresas de turismo; e a Hays realça que “nos últimos meses as ofertas cresceram em 45% para o verão”.

O Algarve concentra, naturalmente, o maior número de ofertas de emprego (40%) captadas pelo IEFP, seguindo-se a região de Lisboa e Vale do Tejo (20%), o Centro (16%), o Norte (13%) e, por último, o Alentejo (10%). As empresas de recrutamento sublinham a procura que se sente em Lisboa e Porto, ilustrando a dinâmica de investimento que o turismo tem conhecido nestas cidades.

Chefe de cozinha, responsável de sala, empregado de mesa e de balcão e rececionista são, segundo a Adecco, as funções com maior procura. Mas barmen e empregadas de limpeza estão também no topo das necessidades das empresas de turismo.

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