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Adeus, conchas. Olá, plástico. Como viveria a “Pequena Sereia” no século XXI?

Adeus, conchas. Olá, plástico. Como viveria a “Pequena Sereia” no século XXI?

É verdade que os objectos utilizados pelos humanos deixavam Ariel fascinada. Mas como seria a vida da Pequena Sereia se vive

sse no século XXI? Um saco plástico a substituir o soutien de conchas; uma alimentação à base de beatas e o cabelo amarrado — porque os garfos de plástico não servem para o pentear. Stephanie Hermes (ou Steff, como prefere que lhe chamem), artista alemã, desenhou o dia-a-dia de Little Trashmaid e o cenário tem tanto de cómico como de preocupante.

A série The Little Trashmaid começou quando Steff se preparava para desenhar uma sereia para o MerMay Challenge, um desafio lançado a artistas de todo o mundo para desenhar sereias durante o mês de Maio. “Ao pensar no que ela deveria vestir, percebi que, infelizmente, arranjar um saco plástico no mar seria mais fácil do que um soutien de conchas”, escreveu a artista ao P3. Percebeu então que esta sereia não teria “uma vida tão feliz como a de Ariel” — “Teria que lidar com o nosso plástico!

Steff estudou durante três anos numa escola de artes e trabalhou na indústria dos jogos. Actualmente é artista freelancer e dedica-se especialmente a cartoons — adora “as cores e expressões engraçadas”. The Little Trashmaid é a prova disso: “Queria provocar sentimentos contraditórios em quem lesse as suas histórias. Queria que fossem engraçadas, mas provocatórias.”

E para quem acredita que a sereia parece feliz — como já lhe disseram —, a artista relembra: “A Little Trashmaid é muito ingénua, só tem 12 anos, ainda não percebe.” E incentiva todos a prestarem atenção “ao que nos rodeia”. “Os recursos deste planeta não são inesgotáveis. E todos podemos fazer alguma coisa. Descarta o lixo correctamente (mesmo que não seja teu), não gastes água, recicla, usa menos plástico e anda mais a pé e menos de carro”, aconselha.

A artista alemã começou uma campanha na Patreon e vai doar 20% do dinheiro angariado a organizações que lutam pela conservação dos oceanos — e para que a Little Trashmaid viva melhor. 

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