blitz.ptblitz.pt - 14 jul 03:30

Frenético, hipnótico e completamente livre. Assim foi o concerto de Thom Yorke no NOS Alive

Frenético, hipnótico e completamente livre. Assim foi o concerto de Thom Yorke no NOS Alive

Líder dos Radiohead apresentou-se em nome próprio no palco do festival de Algés, com um novo álbum no bolso

Quem está habituado a ver Thom Yorke em palco rodeado dos seus Radiohead não sabe muito bem o que esperar de uma atuação do músico em nome próprio. Esta noite, no Passeio Marítimo de Algés, no derradeiro dia de NOS Alive 2019, os seguidores do trabalho de um dos nomes mais idolatrados das últimas três décadas da história da música mundial perceberam que, mesmo quando todas as atenções recaem sobre ele, o homem não consegue fazer mal. Goste-se, não se goste, torna-se impossível desviar os olhos e os ouvidos.

Três anos depois de um concerto com os Radiohead no palco principal, Yorke aterrou no palco Sagres do festival num momento em que acaba de editar "Anima", terceiro álbum em nome próprio. Separando muito bem as águas, e sem surpresas para quem o acompanha atentamente, o músico não tocou no cancioneiro da sua banda de sempre e optou por entrecruzar alguns dos momentos mais fortes do novo registo (do imersivo 'Impossible Knots', aos sintetizadores sublimes de 'Not the News', à efervescência de 'Traffic' e ao samba robótico de 'Twist) com clássicos como 'Black Swan', da estreia de 2006 "The Eraser", munida dos seus ritmos circulares, ou uma 'Harrowdown Hill', que vive uma nova vida, mais excitante, 13 anos depois de nos chegar aos ouvidos.

Entre danças frenéticas, loops que induzem o transe, batidas fundas e opressivas, dedilhares contundentes no baixo e canções distendidas até ao infinito, o músico, secundado pelo companheiro de sempre, o produtor Nigel Godrich, desenhou um concerto hipnótco, que apesar de praticamente ignorar um pouco memorável "Tomorrow's Modern Boxes" não esqueceu a aventura paralela Atoms for Peace: al��m da canção com o mesmo nome, batendo qual coração acelerado, serviu 'Amok' e ainda, a encerrar o espetáculo - depois de um lindíssimo momento nas teclas para o íntimo 'Dawn Chorus' -, os ritmos cortantes de 'Default'. Numa tenda a transbordar de público, o músico despediu-se retribuindo as vénias que irromperam no meio de uma plateia que esteve presa à figura franzina de Yorke durante hora e meia.

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