www.dinheirovivo.ptdinheirovivo.pt - 14 jul 08:00

CEO Goldenergy. "Governo podia ter ousado colocar mais MW a leilão”

CEO Goldenergy. "Governo podia ter ousado colocar mais MW a leilão”

de acordo com Miguel Checa, "há dinheiro de sobra para investir em projetos renováveis, sobretudo solares".

Criada há 11 anos pelo grupo Dourogás, em 2015 a Goldenergy entrou no radar da gigante Axpo, que na altura comprou 25% do capital. Passada a “fase de noivado, em que nos conhecemos, desenvolvemos a empresa e implementámos novos sistemas de qualidade”, em 2018 a empresa suíça decidiu ficar com os restantes 75% e assumir o controlo total da empresa com ADN 100% português, agora sob o comando do CEO espanhol Miguel Checa.

Com operações em Portugal, a Axpo é contactada por investidores internacionais interessados no potencial renovável?
Fundos de pensões, fundos soberanos, companhias de seguros. Todos estão a olhar para Portugal e há investidores privados a garantir que os objetivos de neutralidade carbónica em 2050 traçados por Portugal são perfeitamente atingíveis.

Os projetos solares são os mais procurados?
Há dinheiro de sobra para investir em projetos renováveis, sobretudo solares. A procura nos leilões foi nove vezes superior, por isso há capacidade de investimento. Sem falar nos projetos à margem dos leilões, já na ordem de 1 TW. Os bancos não gostam do risco dos preços de mercado. Mas a solar é hoje a tecnologia mais barata, mais descentralizada e que permite fazer centrais mais pequenas. Por isso há uma procura tão forte.

Como avalia a forte procura nos leilões do solar?
É uma oportunidade fantástica para os consumidores portugueses, porque vai descer o preço da produção de eletricidade. Mas o governo podia ter ousado colocar mais MW a leilão, investindo na rede para obter mais pontos de ligação. Como as renováveis vão fazer baixar os preços da produção, isso permite investir numa rede mais descentralizada, espalhada por mais municípios. É uma mudança de paradigma mas a estratégia tem de ser mais agressiva, tendo em conta o enorme interesse que há dos investidores privados. Agora o governo tem de garantir que estes MW vão construir-se e que as centrais entram em produção.

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