expresso.ptexpresso.pt - 13 jul 23:39

BCP foi dono do golfe de André Jordan por um ano

BCP foi dono do golfe de André Jordan por um ano

Banco liderado por Miguel Maya comprou em 2018 holding deficitária do gestor turístico e vendeu-a no início do ano

O Banco Comercial Português é conhecido pelo patrocínio ao ténis, com o Estoril Open a ostentar o nome da instituição financeira, mas foi outro o desporto, mais particularmente o golfe, que esteve na sua carteira de investimentos durante um ano. O banco liderado por Miguel Maya foi o dono da holding de André Jordan que detém o campo de golfe de Belas.

O banco, que tem os chineses da Fosun e os angolanos da Sonangol como principais acionistas, adquiriu 51% do Grupo Planfipsa, de André Jordan (o rosto da Quinta do Lago), no primeiro trimestre do ano passado. Esta sociedade, de que o BCP era credor, é dona da Planbelas, imobiliária que promove e gere o empreendimento Belas Clube de Campo, que junta o imobiliário, lifestyle e golfe.

Não há qualquer explicação oficial para que o BCP tenha comprado a participação maioritária naquele universo. “O banco não comenta”, foi a resposta dada pela instituição financeira às perguntas feitas, por duas vezes, pelo Expresso. Quando fez a aquisição de 51%, a Wilmslow Holdings Limited, com 40,16%, e a Chantal Enterprises Limited, com 8,82%, ambas sediadas em Malta, eram as restantes acionistas. São imputadas a Jordan, o empresário ligado a Vilamoura e à Quinta do Lago, e que era o antigo dono.

A compra de 51% pelo BCP aconteceu em março de 2018, depois de a Planfipsa ter feito um aumento de capital de €5,22 milhões de euros em “espécie”, ou seja, sem mobilização de novos fundos. Que “espécie”? É uma incógnita. Mas aconteceu numa sociedade que estava numa situação patrimonial deficitária. A Planfipsa terminara 2017 com capital próprio negativo de €87 milhões, resultante de um ativo de €8 milhões face a um passivo de €95 milhões. Deste passivo, os financiamentos obtidos ascendiam a €75 milhões. Também a Planbelas registara, em 2017, um capital próprio negativo de €19 milhões.

Em março de 2018, com a compra, entraram também dois nomes do BCP para a administração da sociedade gestora de participações sociais para completar o mandato iniciado em 2015 e que se estendia até ao final desse ano. O banco tornou-se, assim, a casa-mãe da empresa de Jordan. A Planfipsa passou a ser “subsidiária”, como a classificava contabilisticamente o BCP. Mas a entrada da Planfipsa no balanço do banco ocorreu já com um sinal de saída. Ainda 2018 não tinha terminado e já esta operação tinha sido considerada em “descontinuação”. Ou seja, era para vender.

Foi precisamente por um ano que se estendeu a estadia da holding — que além do clube de Belas tem participação na Invesplano — no balanço do banco fundado por Jorge Jardim Gonçalves. “Durante o primeiro trimestre de 2019, o Grupo procedeu à venda do Grupo Planfipsa”, apontou o relatório e contas do BCP.

A operação concretizou-se em fevereiro. E foi em março que o grupo André Jordan anunciou o acordo com a Oaktree para o investimento de €500 milhões no clube de Belas, que conta com 2500 residentes.

“Em fevereiro de 2019, e em função do sucesso de vendas da nova fase do Belas Clube de Campo, o Lisbon Green Valley, o fundo de investimento Oaktree Capital Management adquiriu a totalidade do capital da Planfipsa ao André Jordan Group, ficando o mesmo responsável pela estratégia de desenvolvimento imobiliário do Belas Clube de Campo, com Gilberto Jordan na liderança como presidente e CEO”, responde a assessoria do grupo, adiantando que o grupo “mantém uma participação nos resultados futuros”, mas recusando falar sobre as ligações ao BCP. Também “a Oaktree recusa fazer comentários sobre a Planfipsa”.

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