visao.sapo.ptvisao.sapo.pt - 13 jul 13:00

As mochilas são para a escola e para as férias? Não, são todo o lado e agora são um 'must-have'

As mochilas são para a escola e para as férias? Não, são todo o lado e agora são um 'must-have'

A indústria da moda percebeu finalmente que as executivas carregam muita tralha. As mochilas são agora um must-have também a caminho do trabalho
Gucci €1 490 1 / 8

Gucci €1 490

Valentino €1 600 2 / 8

Valentino €1 600

Versace €920 3 / 8

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Hunter €275 4 / 8

Hunter €275

Versace €773 5 / 8

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Gucci €1 980 6 / 8

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Furla €450 7 / 8

Furla €450

Burberry €1 290 8 / 8

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Não deve haver maior poço sem fundo do que a mala de uma mulher. A piada é antiga, mas ainda faz mais sentido quando sabemos que, além de tudo o que por lá se costumava juntar (carteira, telemóvel, carregador, chaves, maquilhagem, lenços, medicamentos, tampões, listas…), muitas vezes hoje temos de acrescentar um computador ou um iPad e uma garrafa de água. As malas foram, por isso, crescendo tanto que usá-las ao ombro é um tormento. E a mensagem chegou finalmente às grandes marcas e às cadeias de fast fashion.

Os detratores bem podem clamar contra a chamada moda ugly e lamentar que as mulheres levem às costas uns “feiosos” sacos com duas alças. Nos Estados Unidos da América, segundo a empresa de estudos de mercado NPD, as vendas de mochilas femininas aumentaram 28% no último ano. Números à parte, olha-se a oferta e, não, não é tudo assim tão ugly.

Quem sabe de tendências de moda aponta Miuccia Prada como pioneira. Estávamos em 1984 quando a estilista italiana lançou uma mochila, feita com tecido de paraquedas, que atirava as malas para os armários das velhas tias.

Mais de 30 anos depois, a palavra de ordem é, como quase sempre na moda, reinventar. E, desta vez, por necessidade, nota Susana Marques Pinto, professora de styling e consultora de imagem para a ficção nacional: “As pessoas valorizam o conforto – basta repararmos na percentagem ínfima de mulheres que não andam de ténis. As mochilas fazem todo o sentido.”

Desconstruir os códigos

A personal shopper Diana Pimentel sabe que sim, na prática. “Tenho tido várias clientes que não usam carteira, por causa de um problema de costas”, conta. “Quando vamos às compras, procuramos, por isso, uma mochila com um estilo mais clássico, que ofereça um bom suporte, mas suficientemente elegante para ser levada para o trabalho.”

Do ponto de vista ergonómico, trata-se de uma medida saudável, concorda Ana Loya, CEO da Mindshift Talent Advisory. Quanto aos possíveis narizes torcidos de quem vê uma executiva chegar de mochila, eles surgirão sobretudo por uma questão de gosto, acredita a especialista em recursos humanos. “Isso pode acontecer também com os trolleys que os consultores costumam usar – alguns parecem da feira.”

Aos 60 anos, Ana Loya não se cansa de aplaudir o facto de hoje as pessoas se sentirem livres para usar o que querem. Se uma mulher tiver de ser discriminada – “e ainda o é, são séculos disto” –, s��-lo-á independentemente daquilo que usa. “Há homens que, quando lhes escorrega o pé, acabam por revelar alguma misoginia intrínseca.”

A ela nunca ocorreu ir a uma reunião com a mochila que leva para as aulas de Pilates, mas agora que pensa nisso põe a hipótese de vir a optar por uma que em tempos comprou a um artesão, em Roma. “Têm ambas uma pega, dão para usar na mão”, lembra.

Seja num ambiente casual chic ou business informal, as mochilas são um must-have, diz Raquel Guimarães, diretora da Fashion School. A usar sem medos. “O lazer e as políticas de bem-estar refletem-se nos códigos vestimentares, que estão cada vez mais desconstruídos. Mesmo nas empresas que se preocupam com a formalidade, a mochila ajuda a desconstruir.”

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