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NOS Alive: música feita por mulheres tomou conta do palco Coreto

NOS Alive: música feita por mulheres tomou conta do palco Coreto

Bia Maria, Marinho, Chong Kwong e Sreya são todas mulheres, portuguesas, fazem música, do indie rock ao rap, e subiram hoje ao palco Coreto no festival Alive, a decorrer ...

A estreia no festival NOS Alive foi também para Bia Maria a estreia em palco com banda e para Chong Kwong (na foto) a primeira vez que se apresentou ao vivo a solo.

Aos 21 anos, Bia Maria é “um pintainho a sair da casca”, se se comparar “com esta gente toda que aqui está” no alinhamento do Coreto.

A estudar Formação Musical na Escola Superior de Música, em Lisboa, Bia Maria, que tocou trompete durante muitos anos, começou a cantar as canções que escreve “há dois ou três anos”, recordou em declarações à Lusa.

Quando lhe perguntam que tipo de música faz, fica “muito confusa”.

“Não há propriamente um género específico, não é pop, não é rock, não é fado, mas acho que tem uma mistura, um bocadinho de tudo”, disse, partilhando que tem uma amiga que costuma dizer-lhe: “se fosses filha de alguém serias uma mistura do António Zambujo, da Carolina Deslandes e dos Deolinda”.

Há cerca de um ano gravou o primeiro EP e hoje deu “o primeiro concerto com banda”. O que vem depois, não sabe. “Eu nunca tive o sonho de fazer isto, de gravar um EP, de estar a cantar num festival desta dimensão, está tudo a acontecer muito naturalmente e eu também não penso nisso”, partilhou.

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Atitude semelhante tem Sreya, já com um álbum gravado e outro a caminho, para quem o importante é divertir-se. “Uma coisa séria [a música] ainda não se tornou, espero que não se torne, que seja sempre uma coisa com o mínimo de seriedade necessária”, disse à Lusa.

Em 2017, gravou o primeiro álbum, “totalmente por brincadeira” com Conan Osiris, porque queria musicar alguns poemas que tinha escrito. Como gostou “muito” da experiência, ficou com vontade de gravar o segundo, algo que está a fazer, desta vez com Primeira Dama. “Se tudo correr bem sai ainda este ano e estou cheia de vontade de fazer o terceiro, porque é muito viciante”, partilhou.

Como ouve pouca música, Sreya tem “poucas influências”. Definir a música que faz não é fácil, mas conta que quando ouviu o seu primeiro álbum pensou: “eu sou um bocadinho Onda Choc, sou um Onda Choc de 2019”. “Mas como estou em transformação agora já sou outra coisa e se continuar a fazer música vai ser sempre uma coisa diferente, mas vai ter sempre um 'q' de pimba, com certeza”, contou.

Também com álbuns gravados, mas enquanto elementos de bandas, Marinho, que fez parte dos Iconoclasts, e Chong Kwong, que integrou os La Dupla, apresentaram hoje no NOS Alive temas dos álbuns de estreia a solo que se preparam para editar este ano.

Marinho, depois de uma pausa após o fim dos Iconoclasts, decidiu, no ano passado, que não chegaria a mais um aniversário “sem gravar pelo menos uma música em estúdio”. “Marquei uma semana de estúdio e saí de lá com um disco”, contou à Lusa. Os primeiros singles foram divulgados em março e em maio e o ‘feedback’ que tem tido é “muito encorajador”.

A música que faz, disse, “está mais no universo do indie folk e do indie rock”. No álbum, que chega no outono, “há certas influências que são mais gritantes como Big Thief, Alanis Morissette, Smashing Pumpkins e Mac de Marco”. “É uma mescla disso tudo, é difícil responder a isso [que tipo de música faço], talvez seja o som de Marinho”, afirmou.

Ter a oportunidade de estar num festival como o NOS Alive “é muito bom”. “É sinal que houve alguém, pelo menos quem programou palco Coreto, que acredita em mim e na minha música e é uma oportunidade para gente que não conhece descobrir a minha música e, mais do que isso, ficar interessada para saber mais e quando o disco sair talvez ouvir o disco”, referiu.

A experiência que tem no mundo musical faz com que não crie a expectativa de “de repente rebentar”. “Sei como as coisas funcionam e não acho que a minha carreira vá explodir, as coisas não funcionam assim. Enquanto conseguir dar alguns concertos e houver pessoas que vão ficado impactadas com isso, já vou ficando feliz”, disse.

Chong Kwong é, assumidamente, uma “rapper a 100%”, entrou no mundo da música “de ouvido, de ir experimentando”.

Uma das poucas mulheres a ‘rappar’ em Portugal, Chong Kwong não gosta de pensar no facto de ser uma mulher num meio predominantemente masculino. “Não gosto de fazer a distinção homem/mulher, apesar de existirem poucas mulheres no hip-hop. Acaba por ser um pouco como no mundo dos negócios também, se uma mulher chegar a um cargo de poder, também terá sempre que lidar com essa energia masculina. Tento não pensar no facto de ser mulher a fazer rap, eu quero empoderar ou inspirar independentemente do género”, disse à Lusa.

Hoje, no festival apresentou pela primeira vez ao vivo temas de “Filha Mãe”, o primeiro álbum a solo, que está “80 a 90% concluído”, depois de dois EP e um álbum com La Dupla.

O concerto no NOS Alive, que é também o primeiro a solo, “é mais uma pedra no castelo, uma conquista”. “Uma daquelas pequenas vitórias que quero celebrar e fico orgulhosa”, referiu.

A sua ascendência – “metade asiática, metade africana” – reflete-se na música que faz, mas considera que, “acima de tudo a música é liberdade”. “Acho que a pessoa tem que ouvir e se gostar gostou e é bom sinal não catalogá-la”, defendeu.

O palco Coreto acolheu ainda hoje um ‘secret show’, uma atuação surpresa de Márcia, também ela mulher e portuguesa.

A 13.ª edição do festival NOS Alive, a decorrer no Passeio Marítimo de Algés, termina no sábado.

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