observador.ptGuilherme Valente - 14 jul 00:09

Um desafio exaltante

Um desafio exaltante

O grande desafio do nosso tempo é organizar uma política da emigração justa, viável, bem-recebida, aceitável pelos europeus. A Europa não conseguirá ser de facto o refúgio e o emprego do mundo.

Sejamos família dos que não têm família, pátria dos que não têm pátria.
João Paulo II

 Que fazer com os migrantes? Eis interrogação mais dramática do nosso tempo.

Kamel Daoud, é um intelectual argelino, combatente por um islão iluminista, que continua a viver entre

Para isso, para nos reencontrarmos com o espírito europeu, devemos neste caso, in extremis, construir “um equilíbrio dinâmico entre a insensibilidade, que nalguns casos será mesmo crueldade, a compaixão, a generosidade”, a inteligência. Por agora o medo e a insensibilidade parece ter avançado, chega-se mesmo a afirmar querer expulsar 500 000 migrantes!

Ora não é com uma política de deportação em massa inumana, incompatível com a sensibilidade europeia, que se resolve o problema.

A solução revela-se, então, num outro registo: evitar que haja migrantes.

Para isso é imperativo adoptar uma nova política externa europeia, uma intervenção nos países de partida para dissuadir a migração, estancar a hemorragia do capital humano, vital, afinal, para o desenvolvimento próprio, para o futuro dessas regiões agora devastadas. E, antes de mais, acabar com as intervenções de lesa-humanidade, como as que governos dos Estados Unidos e da França fizeram, designadamente na Síria e na Líbia. Ajudando decisivamente no derrube de todos os regimes laicos que continham o islamismo. Obama já o terá reconhecido. Ataturk hoje não teria vencido.

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