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A semana em oito gráficos: Trump e imposto Google ensombram negociação na Europa

A semana em oito gráficos: Trump e imposto Google ensombram negociação na Europa

A perspetiva de um corte de juros por parte da Reserva dos EUA contribuiu para animar as bolsas europeias esta semana, mas o presidente norte-americano resfriou o otimismo ao dizer que vai investigar o imposto Google e ao criticar a China, relançando receios de novas tensões comerciais.
Europa no vermelho com Trump e imposto Google a penalizarem As bolsas do Velho Continente encerraram generalizadamente no vermelho, esta semana, pressionadas sobretudo pelos receios em torno de uma nova frente de batalha entre Washington e a Europa, devido ao chamado imposto Google, bem como a “desilusão” de Donald Trump em relação à China pelo facto de Pequim não estar a comprar produtos agrícolas americanos como combinado. PSI-20 em contraciclo com resto da Europa O índice de referência nacional ganhou 0,55% no conjunto da semana, elevando para 10,41% a sua valorização desde o início do ano. O PSI-20 esteve assim em contraciclo face ao resto do Velho Continente, tendo sido especialmente animado pela Galp Energia e pela Jerónimo Martins. Apesar de as primeiras três sessões da semana terem sido de queda, as subidas de quinta e sexta-feira foram suficientes para um saldo semanal no verde. Galp foi o título que mais subiu na praça lisboeta No PSI-20, a Galp Energia foi o título que mais terreno ganhou na semana, com uma subida acumulada de 4,89%, ao passo que a Navigator foi a cotada que mais se depreciou ao registar uma descida de 4,07%. Micro Focus com o pior desempenho do Stoxx600 A fabricante britânica de software Micro Focus International foi a cotada do índice de referência europeu Stoxx600 que mais terreno perdeu no agregado da semana, ao recuar 15,99%, devido sobretudo à forte queda registada na quarta-feira, depois de a empresa apresentar receitas de licenciamento no seu primeiro semestre fiscal, terminado a 30 de abril, abaixo do esperado. Além disso, disse que a integração da unidade de negócio de software que adquiriu recentemente à Hewlett Packard Enterprise está a revelar-se difícil. Western Digital sustenta S&P 500 A norte-americana Western Digital, fabricante de discos rígidos, escalou 12,89% esta semana, tendo sido o título do Standard & Poor’s 500 que mais terreno ganhou. Os investidores aplaudiram o anúncio de que o seu portefólio IntelliFlash obteve a certificação SAP HANA para acelerar a percepção em tempo real de clientes corporativos. Dólar penalizado pela Fed e dados económicos Depois de duas sessões em que desvalorizou na reação ao discurso de Jerome Powell, presidente da Reserva Federal, que sinalizou que o banco central deverá descer os juros em breve, o dólar voltou a cair na sexta-feira e no cômputo da semana acabou por ficar no vermelho face ao euro e à libra. A moeda norte-americana foi penalizada pela divulgação dos dados mais recentes relativos aos preços dos produtores, que aumentaram, em junho, mais do que era antecipado. Petróleo ganha com tempestade, tensões geopolíticas e menos stocks A tempestade Barry levou a um corte de 50% na produção de energia do Golfo do México, o que impulsionou as cotações do petróleo esta semana. Além disso, as tensões no Médio Oriente, com a tentativa do Irão de bloquear a passagem de um petroleiro britânico no Estreito de Ormuz, ajudaram a sustentar o mercado. Por outro lado, os inventários de crude norte-americano caíram para o nível mais baixo de quase três meses, o que compôs o cenário a favor de uma subida dos preços. Juros sobem na semana Os juros da dívida portuguesa a dez anos subiram nas três últimas sessões da semana, depois de um período alargado em que os caíram consecutivamente, atingindo mínimos históricos, uma tendência que se verificou não só em Portugal mas em vários países da Zona Euro e que se justifica com a política monetária do Banco Central Europeu (BCE). As “yields” estiveram assim a corrigir estes movimentos, numa altura em que há menor procura por obrigações soberanas. A tendência verificou-se também na Alemanha e Espanha, sendo Itália a exceção.

A negociação bolsista desta semana na Europa teve momentos de otimismo, à conta das expectativas de um corte dos juros diretores nos EUA. Contudo, estes não foram suficientes para um saldo semanal no verde, já que se sobrepuseram os receios em torno de uma nova frente de batalha entre Washington e a Europa. Um comentário de Donald Trump sobre a China, em que falou de "desilusão", também não ajudou.

Paris vai mesmo avançar com um imposto sobre as receitas digitais dos gigantes tecnológicos, conhecido como imposto Google, desafiando assim a Administração Trump – que anunciou que abriu uma investigação ao plano dos franceses. Também o Governo britânico publicou um projeto de lei de imposto sobre grandes empresas digitais. Estas decisões intensificaram os receios de uma nova frente de batalha geopolítica. 

Ainda a contribuir para um refrear do entusiasmo esteve uma declaração de Donald Trump sobre a China. O presidente dos EUA declarou que Pequim está a "desiludir" porque não está a comprar produtos agrícolas americanos como combinado. 

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