sol.sapo.ptsol.sapo.pt - 13 jul 18:37

O ‘senhor’ que se segue

O ‘senhor’ que se segue

A pessoa no PSD que julgo mais talhada para a liderança – e para a chefia do Governo – é Maria Luís Albuquerque. Além de ser uma mulher afirmativa e de personalidade forte, tem várias coisas a seu favor: experiência política, formação económica... e a condição feminina (numa época em que as mulheres se afirmam na política por toda a parte).

Tenho-o escrito várias vezes: Rui Rio é um homem estimável. E vou mais longe: seria melhor primeiro-ministro do que é líder partidário.

Mas não conseguiu desfazer vários equívocos a respeito da sua pessoa – e isso está a ser-lhe fatal.

Um foi ser visto sempre como um líder regional e não como um líder nacional; o outro foi ser encarado mais como um futuro aliado de

Tem contra ela o facto de ter ficado muito ligada à política de austeridade.

Mas quanto mais tempo passar mais esse estigma se diluirá.

Porquê?

Porque cada vez se tornará mais claro que o Governo socialista seguiu a mesma política, embora por outros meios, o que significa que não havia como fugir à austeridade.

Digo mesmo mais: dentro de algum tempo, a presença de Maria Luís Albuquerque nesse Governo não será um estigma mas uma mais-valia – por ser a ministra das Finanças no tempo em que Portugal saiu do pesadelo do resgate da troika, conseguindo uma saída limpa.

Veremos se tenho razão.

Neste vaticínio, só me assalta uma dúvida: não sei se Maria Luís Albuquerque estará interessada em ser líder do PSD e primeira-ministra.

E, mesmo que esteja, se acha que é já este o seu tempo.

Depois das próximas eleições, António Costa ficará pelo menos mais dois anos no poder (foi o tempo que estiveram Guterres e Sócrates após a reeleição) – e Maria Luís Albuquerque pode achar que ainda é cedo para avançar.

Pode achar que é preferível deixar avançar uma ‘lebre’ – e, para ‘lebre’, Montenegro seria uma boa opção…

Mas entre este e a ex-ministra das Finanças estará o futuro líder do PSD.

P.S. – A atitude do diretor do Público perante um artigo de opiniã+o de Fátima Bonifácio publicado nas páginas daquele jornal foi muito infeliz. Não se trata de concordar ou discordar do artigo – trata-se, tão-só, de achar que ele devia ser publicado ou censurado. O diretor do jornal disse que, se voltasse atrás, não o publicaria. Fazia mal. Os jornais são espaços de debate por excelência. A censura só agiganta os problemas que procura esconder.

1
1