expresso.ptexpresso.pt - 13 jul 22:30

Há 631 casas para demolir no litoral até 2030

Há 631 casas para demolir no litoral até 2030

De uma lista de 1120 edificações costeiras com ordem de demolição na última década, menos de metade foi abaixo

Nos últimos dez anos foram demolidas 489 edificações no litoral, na sua maioria casas de segunda habitação ou apoios de pesca localizados nas ilhas barreira da Ria Formosa, no Algarve. Foram abaixo por se encontrarem em áreas de risco de erosão costeira, agravada pela subida do nível do mar. Mas estas representam apenas 43% das 1120 edificações que constam da lista identificada nos planos da orla costeira e nos programas Polis de norte a sul do país.

Na calha estão ainda 631 casas, cuja “retirada e renaturalização” deverá ser concretizada “até 2030” e envolver “um investimento de €20,5 milhões”, segundo o Ministério do Ambiente. Porém, os prazos avançados por sucessivos Governos na última década têm sido constantemente adiados, e já se perderam verbas comunitárias. A sua recuperação depende agora da aprovação de novas candidaturas no quadro dos apoios de Bruxelas para 2020/30.

Das 884 edificações que a Sociedade Polis Ria Formosa identificou para serem demolidas nos aglomerados do Farol, Hangares, Culatra, Praia de Faro e ilhotes, 442 já foram abaixo. Dessas, as primeiras 77 foram derrubadas pelo mar na Fuzeta, em 2010. Da metade que ainda está de pé, 111 são de primeira habitação, a maioria na Praia de Faro, e só poderão ser removidas quando estiver assegurado o realojamento dos moradores. Mas este processo está muito atrasado, e a Polis está em liquidação até final do ano.

Mais a norte, entre Caminha e Espinho, foram retiradas 30 casas (26 em São Bartolomeu do Mar) de uma lista de 213 identificadas ao longo de 122 quilómetros. Já entre Ovar e Marinha Grande, na região centro, foram demolidas 16 das 21 edificações previstas.
Dois terços do litoral português sofrem forte erosão costeira. Entre 1958 e 2010, alguns troços a norte, como Moledo, registaram taxas médias de recuo de três metros por ano. E a sul da Costa Nova a erosão chegou a oito metros.

“Temos uma das costas mais energéticas do mundo que sofre uma erosão fortíssima”, sublinha o geofísico Filipe Duarte Santos, explicando que o litoral português “é afetado por ventos de quadrante norte e oeste muito fortes que vão arrastando as areias para sul”. Esta “deriva sedimentar retira anualmente cerca de um milhão de metros cúbicos de areia”, mas menos de 10% são repostos, já que as barragens e alterações do uso do solo servem de barreira aos sedimentos que deviam seguir rio abaixo até ao mar. Entretanto, continuam a autorizar-se novas construções na linha de costa.

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