observador.ptSebastião Bugalho - 12 jul 00:03

Não subestimem Pedro Nuno Santos

Não subestimem Pedro Nuno Santos

A ideia de que o pedronunismo se resume a um fenómeno ativista é profundamente desinformada: eles andam aí, nas agências de publicidade, nos escritórios de advogados, nas vilas de Aveiro, nas redações

dos jornais. Não o subestimem. Pé ante pé, o agora ministro irá ensaiar um assalto a todas as bandeiras que, à direita, nos são caras – as reformas estruturais, mobilizando a tal resposta “à sociedade que temos”; a realidade dos problemas, como Miguel Pinheiro recentemente saudou na rádio Observador; as empresas, lembrando que foi criado por um industrial e que preferiu a fábrica do pai ao governo de Sócrates; a família, mostrando a sua como mostra desde a licença de paternidade; o comunitarismo, como aludiu aos emigrantes no dia de Portugal – e fá-lo-á com o apoio da esquerda, isto é, com uma legitimidade política e social difícil de bater, como os últimos quatro anos de ‘geringonça’ forçosamente demonstraram.

Dir-me-ão que, entre a superficialidade das conjunturas e a profundidade das convicções, ainda não sabemos com exatidão onde está Pedro Nuno – o que também não é mentira. Os avanços e recuos no dossier TAP, o pedir “desculpa” no parlamento pelos erros de um ex-colega, o “nunca mais precisaremos da direita para governar”, a demissão da bancada por causa de um tratado orçamental, o “até lhes tremem as pernas”, entre outras, revelam um voluntarismo caraterístico, por vezes vulnerável e excessivamente contrastante com o atual primeiro-ministro, que é quem manda. Em outubro, além disso, os socialistas deverão ter um líder parlamentar distante da ala pedronunista e o político hoje mais lido na imprensa portuguesa é, justamente, um rosto dessa ala distante: Sérgio Sousa Pinto.

Não há, portanto, condições para profetizar um caso de sucesso, independentemente da sua previsível imprevisibilidade. Mas não o subestimem.

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