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Albuquerque para Costa: isso são tudo “histórias da carochinha”

Albuquerque para Costa: isso são tudo “histórias da carochinha”

Presidente do governo madeirense diz que o país “cor-de-rosa” que o Primeiro-ministro vive é uma ficção, que não corresponde ao que os portugueses sentem.

Tudo “histórias da carochinha” de um primeiro-ministro que vive (e diz que os portugueses vivem) no “país das maravilhas”. O presidente do governo regional da Madeira, Miguel Albuquerque, rejeitou esta quinta-feira que os dossiers que a região autónoma tem pendentes com a República estejam resolvidos, ao contrário do que António Costa disse durante o debate do estado da Nação.

“A verdade é que nenhum dos problemas da Madeira está resolvido”, vincou Albuquerque aos jornalistas, à entrada para o encerramento das jornadas parlamentares do PSD-Madeira, que decorreram em dois dias, no Funchal, argumentando que está em causa a assunção das responsabilidades do Estado relativamente às regiões autónomas.

“O senhor primeiro-ministro pode dizer que está tudo cor-de-rosa, que vivemos no melhor país do mundo, que está tudo a correr bem, mas essa não é a realidade que nós sentimos nem vivemos”, continuou o chefe do executivo madeirense, confrontado pelos jornalistas com as declarações de António Costa em São Bento.

Neste momento, Portugal não tem estadistas. Tem políticos de gestão de internet Miguel Albuquerque

Durante o debate do estado da Nação, a deputada social-democrata eleita pela Madeira, Rubina Berardo, acusou o primeiro-ministro de estar a prejudicar a região autónoma e Costa devolveu as críticas. “Só existe um conflito com a Madeira pela simples razão que o governo regional quer criar artificialmente um conflito com o Governo da República para efeitos eleitorais.”

Albuquerque diz que não. Primeiro, há a questão dos juros da dívida que o Funchal paga ao Estado pelo empréstimo contraído em 2012 para o Plano de Ajustamento Económico e Financeiro. “Continuamos a pagar a taxa de juro agiota de 3,375%”, afirmou, acrescentando que o Estado “está ganhar dinheiro” com o arquipélago, pois está a financiar-se a taxas de juro quase negativas.

Depois, há o problema da revisão do subsídio de mobilidade que, na quarta-feira, foi aprovado na especialidade por unanimidade na Comissão de Economia, depois de o PS ter votado contra na generalidade quando a proposta, que chegou do parlamento madeirense, foi discutida em plenário em Julho do ano passado. “É apenas uma resolução aprovada por unanimidade no fim da legislatura. Não garante que o problema esteja resolvido”, considerou Albuquerque, que tem acusado o PS e o Governo da República de estarem a bloquear esta matéria.

O presidente social-democrata apontou ainda os “preços pornográficos” praticados pela TAP e voltou a reclamar uma verba de 17 milhões de euros relativa aos encargos que a região tem assumido com os subsistemas de saúde da PSP, Forças Armadas e GNR. “O governo regional é que tem de adiantar o dinheiro, porque o Estado não assume nenhuma responsabilidade na Madeira”, acusou, exemplificando ainda com os meios aéreos de combate a incêndios e a ligação marítima com o continente, que têm sido financiados pelo orçamento regional.

Lá dentro, já falando para os deputados – a quem elogiou o trabalho e indicou os objectivos para o próximo mandato –, Albuquerque voltou a apontar para Lisboa. “Neste momento, Portugal não tem estadistas. Tem políticos de gestão de Internet”, criticou durante a intervenção nas jornadas parlamentares, que foram abertas na véspera pelo antigo líder madeirense, Alberto João Jardim.

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