blitz.ptblitz.pt - 11 jul 19:47

50 minutos de suor e raiva com os Linda Martini no NOS Alive

50 minutos de suor e raiva com os Linda Martini no NOS Alive

Quarteto lisboeta abriu o palco grande do festival de Algés em boa forma, seis anos depois da última passagem por aquele espaço

Há muito que os Linda Martini conquistaram um espaço de destaque nos grandes palcos de festivais em Portugal (haja justiça), mas é sempre impressionante ver como engrandece, de disco para disco, de ano para ano, o monstro de quatro cabeças (com muitos amigos) que levam a cena. Sempre seguros, sempre bem apoiados uns nos outros – e nos “amigos” que nunca os deixam ficar mal –, André, Cláudia, Hélio e Pedro tiveram honras de abertura do grande espaço de atuações do NOS Alive no primeiro dia da edição de 2019 e, seis anos depois de ali terem tocado, serviram 50 minutos bem suados (o recinto do Passeio Marítimo de Algés, ao final da tarde, parecia uma sauna a céu aberto).

Grandemente apoiada em “Linda Martini”, álbum número cinco, editado no ano passado, a atuação abriu com a melancolia de ‘Cemitério dos Prazeres’ e a descarga de ‘Caretano’ entrelaçada com a ondulante e labiríntica ‘Boca de Sal’, momento nevrálgico do disco. Como sempre, o baterista é o cicerone de serviço: “boa tarde. Nós somos os Linda Martini, obrigado por terem vindo a esta hora para nos verem”, atira, antes de relembrar o concerto de 2013 e deixar um recado à progenitora, “mãe, podes baixar os braços, aí atrás, porque eu já vi o cartaz”.

‘Panteão’, recuperado ao belíssimo “Turbo Lento”, com grande solo de guitarra de Pedro Geraldes, e ‘Unicórnio de Sta. Engrácia’ de “Sirumba”, numa versão mais solta, abrem portas ao hino ‘Amor Combate’. A legião de aficionados colada ao palco (“o pessoal que está lá atrás se se aproximar apanha sombra. Só uma dica”, diz Hélio) junta a voz aos rasgos vocais de André Henriques num dos momentos mais intensos do concerto.

Como grande parte das canções dos Linda Martini, que alternam entre momentos íntimos e tempestades de cordas e baquetas que os desconstroem, ‘Putos Bons’ chega com pingos de suor na testa e empurra a sequência final: o "fado" de ‘Se Me Agiganto’, o pé no acelerador de ‘Gravidade’ e o sempre muito aguardado ‘Cem Metros Sereia’ (coro algo tímido, hoje)… Mas trocam-nos as voltas e resolvem colocar um ponto final em 50 minutos bem transpirados com a intensidade de ‘Quase se Fez uma Casa’. “Vocês são muito bonitos, obrigado a todos”. Mas o “lindos” são eles.

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