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Risco de cancro: o consumo de sumos naturais pode ser tão mau como o de refrigerantes

Risco de cancro: o consumo de sumos naturais pode ser tão mau como o de refrigerantes

Um estudo francês chegou à surpreendente conclusão de que beber grandes quantidades de sumos naturais de fruta pode aumentar o risco de cancro da mesma forma que consumir bebidas açucaradas

Um estudo levado a cabo em França e publicado no BMJ, concluiu que consumir 100 ml de refrigerante, apenas um terço de uma lata típica, diariamente, aumenta em 18% o risco de cancro. Sendo que, no caso do cancro da mama, a taxa de risco sob para 22 por cento. Contudo, a mesma investigação provou que substituir os refrigerantes por sumos naturais pode não fazer diferença para a saúde.

Os participantes, mais de 100 mil pessoas com uma média de idades de 42 anos, preencheram pelo menos dois questionários, detalhados, sobre a sua dieta. O processo de análise demorou cerca de nove anos. Durante esse período, foram diagnosticados 2.193 primeiros casos de cancro, em pacientes com uma idade média de 59 anos. Destes, 693 eram cancros na mama, 291 eram casos de cancro na próstata e 166 eram cancros colorrectais.

"Surpreendentemente, talvez, o aumento do risco de cancro foi observado mesmo entre os consumidores de sumos de frutas, sem adição de açúcares - o que merece mais pesquisa", afirma Ian Johnson, um especialista em nutrição e membro do Quadram Institute Bioscience.

"O que observámos foi que o principal razão da ligação parece ser realmente o açúcar contido nessas bebidas", adianta. "Quando olhamos apenas para o teor de açúcar por 100ml, a Coca-Cola comum ou o sumo de laranja 100% natural, por exemplo, têm praticamente o mesmo. Portanto, não é assim tão estranho que observemos esta associação", explica Mathilde Touvier autora do estudo e diretora da Equipa de Investigação de Epidemiologia Nutricional do Instituto Francês de Saúde e Investigação Médica da Universidade Paris.

"O elevado consumo de bebidas açucaradas é um fator de risco para a obesidade e o ganho de peso" e "a obesidade é em si mesma um fator de risco para o cancro",esclarece a investigadora. Por esse motivo, Touvier aconselha o cumprimento das diretrizes de saúde pública, que recomendam limitar o consumo de bebidas açucaradas a um máximo de um copo por dia.

A Associação Americana de Bebidas não concorda que as bebidas sejam perigosas. "É importante que as pessoas saibam que todas as bebidas - com ou sem açúcar - são seguras para consumo como parte de uma dieta equilibrada". "Dito isto, as principais empresas de bebidas dos Estados Unidos estão a trabalhar em conjunto para apoiar os esforços dos consumidores para reduzir o açúcar que consomem nas nossas bebidas, oferecendo mais opções com menos açúcar ou açúcar zero, embalagens mais pequenas e informações claras sobre as calorias logo na parte da frente [da embalagem dos refrigerantes]", afirma Danielle Smotkin, porta-voz da associação, num comunicado.

No que toca a bebidas com substitutos do açúcar, a pesquisa não encontrou nenhuma ligação entre o seu consumo e o aumento da probabilidade de vir a ter cancro. No entanto, os autores alertaram para o facto deste tipo de bebidas ser muito pouco consumido pelos participantes que analisaram sendo, por isso, necessário algum cuidado na interpretação das conclusões. Catherine Collins, nutricionista do Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido, considera estes resultados uma “mensagem para levar para casa”. "Por muito tempo, o mito nutricional dos adoçantes serem um risco para a saúde permaneceu na cultura popular", no entanto, “todos os adoçantes atualmente em uso passaram por rigorosos testes de segurança, antes de serem aceitáveis para uso humano”, acrescenta.

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