expresso.ptexpresso.pt - 14 jun 12:46

Rebeldes houthis usam mísseis e drones para atacar aeroporto saudita

Rebeldes houthis usam mísseis e drones para atacar aeroporto saudita

O confronto entre os rebeldes houthis do Iémen e a Arábia Saudita não está nem perto de terminar e os recentes ataques são prova disso. Nos últimos três dias, o aeroporto internacional de Abha, no sudoeste da Arábia Saudita, foi atacado duas vezes, a primeira com um projétil e a segunda com cinco drones

Três dias, dois ataques, os mesmos protagonistas e o mesmo alvo, o aeroporto internacional de Abha, no sudoeste da Arábia Saudita. A única diferença está nas armas utilizadas, na quarta-feira desta semana foi lançado um projétil, que deixou 26 pessoas de várias nacionalidades feridas, e esta sexta-feira, cinco drones, que acabaram por ser intercetados pelas autoridades sauditas.

O confronto entre os rebeldes houthis do Iémen e a Arábia Saudita não está nem perto de terminar e os recentes ataques são prova disso. Em comunicado divulgado esta sexta-feira, horas depois do segundo ataque, a Arábia Saudita disse ter “intercetado e destruído com sucesso os cinco drones lançados pela milícia houthi” contra o aeroporto de Abha e a cidade de Khamis Mushait, nas redondezas.

Não foi dada qualquer informação a respeito da existência de vítimas, encontrando-se o aeroporto a funcionar “normalmente”. Como tem sido regra, o Irão foi dado como culpado — “ataques foram ordenados pelo regime de Teerão”, disse o vice-ministro da Defesa saudita, e irmão do príncipe herdeiro, Khaled bin Salman — e em resposta foram lançados uma série de bombardeamentos sobre posições houthis na capital do Iémen, Sanaa. Seis pessoas morreram, incluindo quatro crianças.

Na quarta-feira, depois do primeiro ataque contra o aeroporto, o coronel saudita Turki al-Maliki informou que a explosão atingiu a sala de chegadas do aeroporto, por onde transitam milhares de pessoas todos os dias, e classificou o ataque como “terrorista” e equivalente a um “crime de guerra”.

Violência continua, mesmo depois de assinado o acordo de cessar-fogo

Os bombardeamentos e ameaças de parte a parte mantêm-se há praticamente cinco anos, quando os rebeldes muçulmanos xiitas do movimento Houthi conquistaram a capital do país e forçaram o presidente Abd Rabbu Mansour Hadi, sucessor do ditador Ali Abdullah Saleh, a exilar-se. Temendo a supremacia do Irão na região (o país é acusado de apoiar os houthis), a Arábia Saudita e outros oito estados árabes de maioria sunita deram início a uma campanha de bombardeamentos (apoiada militarmente e a outros níveis pelos EUA) e o conflito escalou.

Segundo a ONU, assiste-se no país ao pior desastre humanitário do mundo — morreram já pelo menos sete mil civis (65% dos quais como causa direta dos ataques da coligação liderada pela Arábia Saudita) e outros 11 mil ficaram feridos. Ainda segundo números disponibilizados pelas Nações Unidas, 75% da população precisa de ajuda humanitária com urgência e mais de oito milhões estão em risco de fome; mais de dois milhões de crianças sofrem de desnutrição severa, estando apenas metade dos centro de saúde e hospitais a funcionar em pleno. A cólera também tem dizimado milhões de pessoas. Em resultado disso, mais de 3,3 milhões de pessoas encontram-se deslocadas.

Em dezembro do ano passado, o Governo iemenita e os rebeldes houthis assinaram um acordo que previa uma trégua e a retirada dos combatentes da cidade portuária de Hodeida, por onde passa grande parte da ajuda humanitária e das importações, mas nas restantes regiões do país a violência continua.

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